EUA declaram que domínio nas Américas nunca mais será questionado e citam prisão de Maduro

EUA declaram que domínio nas Américas nunca mais será questionado e citam prisão de Maduro

11 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Departamento de Estado publica vídeo exaltando a Doutrina Monroe, mas ignora apoio a ditaduras no continente

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto:  Kylie Cooper/Reuters

O Departamento de Estado dos EUA publicou, nesta terça-feira (11), um vídeo em suas redes oficiais afirmando que o domínio do país em todo o continente americano “nunca mais será questionado”. A peça publicitária apresenta uma recapitulação histórica da Doutrina Monroe — estratégia criada no século 19 pelo ex-presidente James Monroe para conter a influência europeia —, classificando-a como a “pedra angular” da atuação norte-americana no Hemisfério Ocidental.

A publicação ocorre em um contexto de forte alinhamento de Washington com governos e lideranças de direita na América Latina, como o apoio manifestado a aliados de Javier Milei na Argentina e a Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia. No vídeo, a recente operação militar que resultou na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, foi apresentada como o exemplo mais recente da aplicação prática dessa política. Maduro segue detido em uma penitenciária de Nova York respondendo por acusações de narcoterrorismo.

Reconstrução histórica e omissão de ditaduras

Ao longo do material, o governo dos EUA destaca momentos em que interveio diretamente na região sob a justificativa de proteção continental. Entre os episódios citados estão o apoio à independência do Panamá em 1903 — que garantiu aos norte-americanos os direitos de construção e gestão do Canal do Panamá — e a atuação do presidente John F. Kennedy durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

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Entretanto, o histórico divulgado pelo Departamento de Estado adota uma narrativa seletiva. O vídeo omite as sucessivas intervenções promovidas pelo país durante o século 20 que resultaram no financiamento e suporte direto à instalação de ditaduras militares em diversas nações latino-americanas.

Nova Estratégia de Política Externa e foco militar

A divulgação do vídeo reflete as diretrizes traçadas no documento de Estratégia de Política Externa do governo Donald Trump. A nova orientação prevê um reajuste da presença militar global dos EUA para focar prioritariamente no Hemisfério Ocidental, visando conter o avanço econômico e político da China na América Latina.

A estratégia fixa a atuação regional em três pilares centrais:

  • Ampliação da presença marítima: reforço da Guarda Costeira e da Marinha para vigilância de rotas, combate ao tráfico de drogas, de pessoas e à imigração ilegal;
  • Proteção de fronteiras e força letal: intensificação das operações contra cartéis de drogas, incluindo o uso autorizado de força letal em cenários específicos;
  • Acesso estratégico: criação e expansão de pontos de acesso militar e logístico dos EUA em locais considerados chave no continente.