EUA incluem Brasil em lista de alto risco por suposta ajuda a tarifas da China

EUA incluem Brasil em lista de alto risco por suposta ajuda a tarifas da China

13 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Relatório da Casa Branca acusa mais de 40 países de facilitarem o chamado transbordo comercial de produtos chineses

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Mark Schiefelbein

O governo dos EUA incluiu o Brasil em uma lista oficial com mais de 40 países acusados de colaborar para que a China burle tarifas de importação no comércio internacional. A denúncia consta em um relatório divulgado pela Casa Branca, que aponta a prática conhecida como transbordo comercial (transshipping). O esquema consiste em enviar mercadorias originárias da China para territórios intermediários — onde passam por processos simples de embalagem, montagem ou alteração de rotulação — antes de serem reexportadas para o mercado americano como se fossem fabricadas nesses países parceiros.

De acordo com o governo dos EUA, a manobra visa maquiar o volume real de itens chineses que entram na economia americana. O relatório enquadrou o Brasil no “nível 2” de risco, ao lado de nações como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Essa categoria classifica países que possuem “integração econômica significativa” com Pequim e funcionam como plataformas regionais de produção e logística, servindo como canal indireto para mascarar a origem de insumos dos setores automotivo, metalúrgico e eletrônico.

Medidas de fiscalização com IA e punições retroativas

Durante a apresentação do documento a jornalistas, o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, classificou a tática de triangulação como um “grande golpe” que permite a evasão de bilhões de dólares em tributos. Para combater as fraudes, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) iniciou os testes de um programa piloto baseado em inteligência artificial. A tecnologia analisará rotas marítimas, notas fiscais e alterações de dados alfandegários para identificar irregularidades nos fluxos de importação.

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As autoridade dos EUA alertaram que, ao comprovar a falsificação do país de origem, as tarifas sobre as mercadorias serão aplicadas retroativamente, cobrindo o período aproximado dos últimos 12 meses. Além disso, o governo americano indicou que os novos acordos comerciais negociados pela administração atual contendo cláusulas punitivas rígidas para países que continuarem facilitando o redirecionamento de produtos chineses para o território norte-americano.

Tensões na balança comercial e impacto na economia global

O endurecimento da política externa dos EUA ocorre no contexto das disputas tarifárias iniciadas nas últimas gestões da Casa Branca. As barreiras impostas contra diversos blocos e nações têm o objetivo declarado de proteger empregos e indústrias locais. Contudo, analistas econômicos destacam que o protecionismo severo imposto por Washington gera pressões inflacionárias internas, eleva o custo de vida dos consumidores americanos e cria contestações jurídicas na Suprema Corte do país.

Apesar das medidas restritivas e da retórica dura por parte dos EUA, a balança comercial norte-americana permanece operando em déficit estrutural. Os dados oficiais mostram que o país segue importando mais mercadorias do que exporta para o mercado global. Ainda assim, o déficit acumulado até o momento registra uma retração de US$ 189 bilhões em comparação ao mesmo período do ano anterior, sinalizando os desdobramentos parciais das políticas comerciais agressivas adotadas por Washington.