
Fim da escala 6×1: confira os detalhes da manobra na Câmara dos Deputados
1 de maio de 2026Presidente Hugo Motta convoca sessões extras para acelerar prazos da PEC que altera a jornada de trabalho no Brasil agora.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

A tramitação da proposta que visa transformar as relações trabalhistas no país ganhou uma velocidade inesperada nesta semana. O presidente da Câmara, Hugo Motta, acionou um mecanismo regimental para acelerar o fim da escala 6×1, convocando sessões deliberativas para todos os dias úteis. A manobra visa esgotar rapidamente o prazo de apresentação de emendas na comissão especial, encurtando o caminho para que o texto chegue ao plenário para votação definitiva.
Normalmente, a Câmara concentra suas atividades de votação entre as terças e quartas-feiras, mas o debate sobre o fim da escala 6×1 quebrou esse padrão. Com sessões agendadas de segunda a sexta, o Legislativo acelera a contagem das dez sessões necessárias para que o relator, deputado Leo Prates, possa apresentar seu parecer final. A estratégia reforça a intenção do Congresso em liderar a mudança na jornada de trabalho, antecipando-se aos projetos enviados pelo Executivo.
O mérito da proposta do fim da escala 6×1 envolve a transição do modelo atual para uma jornada de 40 horas semanais, preferencialmente no formato 5×2. O debate na comissão especial contará com a participação de representantes sindicais e do governo, buscando um equilíbrio entre o bem-estar do trabalhador e a sustentabilidade dos setores produtivos. Empresários, por sua vez, já pressionam por contrapartidas, como novas regras de desoneração da folha de pagamento.

Além da pressão popular, o fim da escala 6×1 tornou-se uma prioridade política em Brasília. O cronograma atual prevê que a Câmara conclua a votação ainda em maio, enviando a matéria para o Senado sob o comando de Davi Alcolumbre. Caso o alinhamento entre as duas Casas se mantenha, a nova jornada de trabalho poderá ser promulgada até o fim do mês de junho, alterando o cotidiano de milhões de brasileiros em regime de CLT.
Durante as audiências previstas, o foco será a análise de regras de transição para evitar impactos negativos em serviços essenciais e no comércio. O fim da escala 6×1 é visto pelo governo como um trunfo de popularidade, mas o Legislativo faz questão de manter o controle sobre a redação final da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A discussão sobre a redução da carga horária de 44 para 40 horas é o ponto central que deve mobilizar os parlamentares nos próximos dias.
Se a manobra de prazos funcionar como o esperado, o Brasil poderá ter uma definição histórica sobre a jornada de trabalho em tempo recorde. O monitoramento das sessões extras será constante por parte de entidades de classe e do mercado financeiro, que observam os reflexos econômicos do fim da escala 6×1. A expectativa é que a proposta avance sem novos pedidos de vista, dada a urgência imposta pela presidência da Casa e o forte apelo social do tema hoje.



