
Foguete sul-coreano é derrubado pela FAB no Maranhão após apresentar desvio de rota
20 de agosto de 2026Veículo suborbital da empresa InnoSpace teve voo interrompido 35 segundos após a decolagem no Centro de Alcântara
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Innospace
O lançamento de um foguete da empresa sul-coreana InnoSpace, realizado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão, foi interrompido na noite desta quarta-feira (19). O veículo suborbital, batizado de Sebit, decolou normalmente às 16h30 (horário de Brasília), mas apresentou anomalias e um desvio na trajetória planejada poucos instantes após deixar a plataforma. Diante da alteração da rota, a Força Aérea Brasileira (FAB) acionou o Sistema de Terminação de Voo para encerrar a atividade por medidas de prevenção.
A decisão de abater o foguete ocorreu cerca de 35 segundos após a decolagem, seguindo rigorosamente os regulamentos de segurança do centro espacial. Os destroços caíram dentro de uma zona de segurança marítima previamente designada no litoral do estado do Maranhão. A InnoSpace e as autoridades brasileiras confirmaram que não houve registro de feridos nem danos materiais às instalações da base ou ao meio ambiente do entorno.
Coleta de dados e parceria com a Alada
Apesar de o voo do foguete não ter sido concluído em sua totalidade, a operação cumpriu parte importante de seus objetivos técnicos. A missão foi realizada em cooperação com a Alada, empresa estatal brasileira criada para impulsionar e gerenciar o uso comercial da infraestrutura aeroespacial do país. O objetivo principal do modelo Sebit era validar tecnologias de voo e checar o desempenho de sistemas que serão empregados em futuros lançadores orbitais.

A InnoSpace destacou em nota oficial que os sensores capturaram dados valiosos de telemetria durante o breve período de operação do foguete. As informações sobre o funcionamento da plataforma de lançamento, do sistema de propulsão e dos mecanismos de orientação, navegação e controle (GNC) estão sendo analisadas pelas equipes de engenharia. Os relatórios servirão para identificar a causa exata da oscilação de rota e aprimorar os softwares de navegação antes dos próximos testes.
O papel de Alcântara e os próximos passos
A escolha do Centro de Lançamento de Alcântara para o teste com o foguete sul-coreano se deve à posição geográfica privilegiada do litoral maranhense. A proximidade da base com a Linha do Equador permite que os lançamentos aproveitem com maior eficiência a rotação da Terra, reduzindo o consumo de combustível e aumentando a capacidade de carga útil dos veículos espaciais. Esse diferencial competitivo posiciona o Brasil como um polo atrativo para empresas privadas do setor aeroespacial global.
Mesmo com o encerramento prematuro do voo nesta semana, o cronograma de parcerias entre a empresa e o centro brasileiro permanece inalterado. A InnoSpace informou que mantém os preparativos para uma nova tentativa de lançamento, agendada para o mês de novembro. Na ocasião, o modelo HANBIT-Nano será colocado à prova na estrutura de Alcântara, consolidando a agenda de testes e operações comerciais na base maranhense.





