Geraldo Azevedo comanda o São João da Bahia com clássicos no Largo do Pelourinho

Geraldo Azevedo comanda o São João da Bahia com clássicos no Largo do Pelourinho

21 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Ícone da música celebra seus 80 anos em noite repleta de sucessos juninos na capital baiana

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Thiago Lemos

A organização e a execução de políticas públicas voltadas para o fomento do turismo de eventos encontram no período junino o cenário ideal para a sua máxima expressão. A coordenação de grades artísticas robustas e descentralizadas, que contemplam desde os bairros periféricos até os centros históricos tombados, demonstra uma visão estratégica voltada para a democratização do acesso à cultura e para o aquecimento das economias locais. Quando o calendário oficial consegue unir grandes fenômenos da atualidade a lendas vivas da MPB, o festejo ganha uma relevância cronológica única, transformando cada noite em um registro histórico do patrimônio imaterial do país.

Nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, Salvador faz o rescaldo de uma noite de intensas manifestações culturais por toda a cidade. Sob a coordenação da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), o Governo da Bahia promoveu uma das datas mais marcantes da programação do São João 2026. A grande referência do circuito deste fim de semana foi o cantor e compositor Geraldo Azevedo, que atraiu uma multidão ao Centro Histórico soteropolitano para celebrar suas oito décadas de vida e poesia.

Os 80 anos de história e o repertório de clássicos no Pelourinho

O artista, natural de Petrolina, subiu ao palco principal do Largo do Pelourinho trazendo na bagagem a energia de sua mais nova turnê, intitulada “Oitentação”. A apresentação funcionou como uma grande reverência aos pilares da sonoridade nordestina. No repertório preparado especialmente para a noite, Geraldo Azevedo desfilou hinos imortais de Luiz Gonzaga, como “Olha pro Céu”, “São João na Roça”, “ABC do Sertão”, “Xote das Meninas” e “Sabiá”. O mestre pernambucano também brindou o público com “Óia Eu Aqui de Novo”, de Antônio de Barros, “Petrolina e Juazeiro”, de Jorge de Altinho, e “O Canto da Ema”, consagrada por Jackson do Pandeiro.

O ápice do envolvimento da plateia ocorreu durante a execução de suas composições autorais, que atravessam gerações de admiradores em todo o território nacional. Músicas icônicas como “Moça Bonita”, “Sétimo Céu” e a indispensável “Bicho de Sete Cabeças” foram cantadas em coro absoluto pelas ladeiras históricas. A presença do veterano dividiu a noite do Largo do Pelourinho com outras potências do gênero, como as bandas Fulô de Mandacaru e Cissinho de Assis, além das performances marcantes de Luan Estilizado e Kaly Fonseca.

“O mestre pernambucano trouxe para o palco a riqueza da turnê ‘Oitentação’, fundindo suas composições consagradas com os hinos eternos do Rei do Baião”, ressalta a crônica cultural sobre a passagem de Geraldo Azevedo pela capital.

Descentralização nos bairros e o roteiro completo dos palcos

Paralelamente às emoções vividas no Pelourinho, o planejamento da Sufotur garantiu que o clima junino se espalhasse com força por outras regiões da capital baiana. No subúrbio, o palco de Paripe ferveu com as apresentações da estrela Solange Almeida e do cantor Zé Felipe, além de um cardápio recheado no Mercado de Paripe, que incluiu atrações como Afrosambah e De Kara no Reggae. Na orla, a tradicional praça de Itapuã curtiu o balanço do Pagode 7×7 e do Forrozão Sapekinha, garantindo o divertimento para quem optou por celebrar perto do mar.

A estrutura do Centro Histórico ainda contou com múltiplos polos de entretenimento simultâneos para atender a todos os perfis de forrozeiros. A Praça Tereza Batista recebeu o agito do Forró do Tico e da banda Negra Cor, enquanto o Largo Tieta serviu de passarela para a voz potente de Marcia Short e o romantismo de Dan Valente. Na Praça das Artes, o comando ficou por conta da Cangaia de Jegue, Paulinho Boca de Cantor e Sarajane. Por fim, o Terreiro de Jesus manteve viva a tradição da dança rasteira com a Sala de Reboco — capitaneada por Val Macambira e Zé Tramela — e o charmoso Coreto, que abriu espaço para novos talentos da música regional em 2026.