Gilmar Mendes pede adiamento de julgamento e dialoga com Flávio Bolsonaro

Gilmar Mendes pede adiamento de julgamento e dialoga com Flávio Bolsonaro

13 de setembro de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Ministro argumenta risco de decisões conflitantes no STF enquanto mantém pontes abertas com o campo político conservador

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Gustavo Moreno-SCO-STF

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), pressiona a Presidência da Corte a adiar e reorganizar o julgamento da Petição 16.662 por ausência de delimitação investigativa clara, ao mesmo tempo em que intensifica o diálogo político direto com o senador Flávio Bolsonaro e outras lideranças da oposição.

A movimentação dupla do magistrado, que acumula 24 anos de atuação no tribunal, expõe divergências internas sobre a condução de inquéritos sensíveis e reabre o debate sobre os limites entre a articulação política e a imparcialidade do Judiciário.

Questionamento à Petição 16.662 e o ofício a Edson Fachin

No âmbito estritamente processual, o foco do decano é a Petição 16.662, pautada para julgamento no plenário. Em ofício enviado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o magistrado solicita a retirada do caso da pauta para que o conjunto de procedimentos relacionados seja devidamente estruturado.

O decano afirma ter dúvidas sobre a maturidade do procedimento e classifica a peça como “amorfa”. Segundo a avaliação apresentada aos gabinetes, não há clareza sobre o objeto do julgamento, os nomes formalmente investigados, o rito aplicável ou os pedidos concretos formulados.

A própria Procuradoria-Geral da República (PGR) já defendeu a nulidade do relatório elaborado pela Polícia Federal. O órgão sustentou que caberia ao relator extinguir o procedimento, já que este foi instaurado de ofício sem requerimento formal do Ministério Público ou da autoridade policial.

Risco de decisões conflitantes e pedido de reunião de processos

Para conter a fragmentação de ações conexas, o ministro propõe a reunião da Petição 16.662 com a Petição 16.704 sob a responsabilidade direta da Presidência do tribunal. O objetivo é evitar decisões contraditórias em investigações que compartilham elementos fáticos com o inquérito das fake news.

O decano fundamenta seu pedido no artigo 82 do Código de Processo Penal, adaptando a regra de avocação à estrutura horizontal do STF. Para ele, embora não exista hierarquia entre ministros, a Presidência deve exercer coordenação institucional para preservar a unidade da Corte.

Principais medidas solicitadas por Gilmar Mendes:

  • Adiar o julgamento da Petição 16.662 agendado para o plenário;
  • Reunir os procedimentos conexos sob a coordenação direta da Presidência do STF;
  • Concluir as diligências e providências instrutórias necessárias antes de qualquer deliberação colegiada;
  • Pautar debate preliminar sobre a nulidade apontada pela PGR caso o julgamento seja mantido.
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Articulação política e diálogo direto com Flávio Bolsonaro

Paralelamente aos questionamentos regimentais, o magistrado atua intensamente nos bastidores de Brasília. Ao rebater informações sobre o uso de intermediários, o ministro enfatizou que mantém contato pessoal direto com o senador Flávio Bolsonaro.

O decano revelou ter se reunido com o parlamentar em diversas ocasiões ao longo do ano. O magistrado também mencionou interlocuções recentes com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o senador Rogério Marinho, reforçando seu trânsito fluido entre congressistas da oposição.

Essa proximidade gera críticas entre juristas e grupos políticos que apontam riscos para a percepção de neutralidade do tribunal. Contudo, aliados do magistrado enxergam as conversas como parte de seu papel histórico de ponte institucional entre o Judiciário e o Congresso Nacional.

Impactos na Polícia Federal, PGR e no equilíbrio entre Poderes

A proposta de reorganizar os processos altera o ritmo de trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Ao adiar julgamentos e questionar relatórios policiais, a decisão pode atrasar desfechos de apurações que envolvem figuras de destaque no cenário nacional.

No plano institucional, a solicitação coloca à prova a liderança de Edson Fachin na Presidência do STF. O ministro precisará decidir entre manter o calendário definido ou assumir a gestão centralizada dos inquéritos para evitar divergências regimentais.

A disputa sinaliza a busca por previsibilidade e segurança jurídica na Corte máxima, em um momento de atenção voltada para os critérios de condução e distribuição de Grandes processos no país.

Resumo da notícia

– Quem indicou Gilmar Mendes para o STF?

O ministro foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002. Após aprovação pelo Senado Federal, tomou posse na Corte, onde atua há mais de dois decênios e ocupa atualmente o posto de decano.

– Qual a relação de Gilmar Mendes com Flávio Bolsonaro?

O magistrado mantém diálogo político direto e frequente com o senador Flávio Bolsonaro. O próprio decano confirmou ter se reunido pessoalmente com o parlamentar em diferentes ocasiões para tratar de cenários institucionais sem o uso de intermediários.

– O que Gilmar Mendes pediu ao ministro Edson Fachin sobre os julgamentos?

O decano pediu o adiamento do julgamento da Petição 16.662 e a sua reunião com a Petição 16.704. Ele defende que a Presidência do STF organize e instrua previamente todos os processos conexos para evitar nulidades e decisões contraditórias.