IA no Brasil: entenda por que o primeiro emprego está sumindo

IA no Brasil: entenda por que o primeiro emprego está sumindo

19 de abril de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Descubra quais são as profissões mais afetadas pela tecnologia e como o mercado de trabalho está mudando para a nova geração de profissionais.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Ilustratativa | Freepik

Avanço da IA no Brasil reduz chances de primeiro emprego e impacta salários de jovens. Entenda o estudo da FGV sobre o mercado de trabalho.

O rápido avanço da IA no Brasil já apresenta reflexos preocupantes na estrutura do mercado de trabalho nacional, atingindo severamente os jovens em busca do primeiro emprego. Um estudo inédito conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, demonstra que profissionais entre 18 e 29 anos em funções expostas à tecnologia possuem menos chances de contratação. A análise aponta para uma redução real de oportunidades.

A base da pesquisa utilizou dados da Pnad Contínua, do IBGE, comparando os cenários de 2022 e 2025 para medir o impacto da IA no Brasil. Os resultados indicam que jovens em áreas altamente tecnológicas possuem 5% menos probabilidade de estarem empregados. O fenômeno é explicado pela eficiência da inteligência artificial em automatizar tarefas administrativas de entrada, que antes eram o portal de início da carreira.

Além da dificuldade de inserção, a popularização da IA no Brasil gerou um impacto direto na remuneração dessa faixa etária específica. O levantamento identificou que profissionais mais expostos à tecnologia recebem salários cerca de 7% menores do que recebiariam em funções menos automatizadas. Setores como o mercado financeiro e serviços de informação são os que apresentam as maiores mudanças na dinâmica de custos operacionais.

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A automação atinge prioritariamente funções de apoio e serviços básicos, justamente onde os iniciantes costumam ser alocados para ganhar experiência. De acordo com o estudo, a tecnologia consegue realizar tais atividades com maior velocidade e custo reduzido, tornando a mão de obra jovem mais vulnerável à substituição. Enquanto isso, trabalhadores experientes em cargos de decisão estratégica seguem protegidos contra essa onda inicial.

Estima-se que aproximadamente 30 milhões de brasileiros ocupem vagas com algum grau de exposição aos sistemas generativos nesta quarta (22). Desse total, cerca de 5,2 milhões de pessoas estão no nível máximo de risco, grupo formado majoritariamente por indivíduos com alta escolaridade residentes no Sudeste. O cenário sugere que a desigualdade geracional pode se aprofundar caso não ocorra uma requalificação profissional imediata.

Embora o período de observação seja curto, os especialistas alertam que os efeitos tendem a se ampliar nos próximos anos de forma contínua. A transição tecnológica exige que o sistema educacional brasileiro se adapte para preparar os jovens para funções que as máquinas ainda não dominam. O debate sobre o futuro do trabalho torna-se essencial para garantir que a inovação não resulte em exclusão social de larga escala.