
Idoso relata constrangimento ao ter cabelo pintado e revela ter raspado a cabeça para conter vergonha
9 de junho de 2026 Off Por Marcelo GarciaRelato doloroso à equipe de televisão expõe a gravidade do ato investigado por suspeita de crime
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/TV TEM
O debate sobre a garantia dos direitos humanos e o amparo legal à população em situação de extrema vulnerabilidade social ganhou um capítulo de profunda indignação no interior do estado de São Paulo. Um episódio de exposição vexatória envolvendo um cidadão da terceira idade mobilizou as redes sociais, a opinião pública e os órgãos de fiscalização estatal na busca por respostas céleres. A apuração dos fatos joga luz sobre os limites da dignidade e as consequências jurídicas para condutas que ultrapassam o bom senso e esbarram na tipificação de crime.
O idoso de 83 anos, que vive em situação de rua no município de São José do Rio Preto (SP), foi localizado pelas equipes de assistência social na região central da cidade nesta terça-feira, 9 de junho de 2026. Em entrevista concedida à TV TEM, a vítima falou publicamente pela primeira vez sobre o trauma de ter tido seus cabelos e sua barba tingidos de vermelho por um comerciante local em troca de doações de vestuário. O homem negou veementemente qualquer laço de proximidade com o autor da ação, rechaçando o argumento de que o ato teria ocorrido em um momento amigável de descontração, o que afasta a tese de ausência de crime.
O que disse a vítima de 83 anos sobre a conduta do empresário no vídeo?
Demonstrando forte abalo emocional e vergonha pelo ocorrido, o idoso relatou que havia consumido bebida alcoólica no dia do ocorrido, 9 de maio, e que procurava apenas auxílio financeiro básico. As imagens gravadas registram o momento em que o idoso hesita, mas acaba cedendo diante da ameaça do empresário Renato Eugênio Dias de reter as roupas que seriam doadas. O idoso relatou o mal-estar que sentiu logo após o episódio, o que o levou a gastar o pouco dinheiro que conseguiu emprestado para raspar totalmente a cabeça e remover a tintura, buscando apagar as marcas do sofrimento classificado por ele como um verdadeiro crime.

“Você acha que um amigo vai fazer o que ele fez? Amigo desse povo? Ele é criminoso, isso não é coisa que se faz. Ele não presta. Eu estava ‘nocauteado’, [falava] ‘para com esse negócio, Renato’. Fui no barbeiro e raspei tudo. Me senti mal, envergonhado. Não quero nem lembrar disso mais”, desabafou o idoso de forma comovente.
Em contrapartida, a defesa técnica do empresário Renato Dias, conduzida pelo advogado Edlênio Xavier Barreto, emitiu uma nota oficial argumentando que os fatos compartilhados na internet representam apenas um recorte descontextualizado. Segundo os defensores, o idoso frequenta o estabelecimento há anos e mantém uma relação antiga com o comerciante. A nota ressalta ainda que o investigado não participou da edição, gravação ou compartilhamento do vídeo nas redes e reforça que o cliente encontra-se em total conformidade para colaborar com a apuração de eventuais indícios de crime.
Quais providências legais estão sendo tomadas pela Polícia Civil e pelo MP?
A repercussão do caso acionou as engrenagens do poder público para garantir a proteção do idoso e a responsabilização dos envolvidos. A Polícia Civil conduz investigações sob a suspeita de infrações graves previstas no Estatuto da Pessoa Idosa, além da prática de injúria por submeter o homem a uma situação degradante. Paralelamente, o Ministério Público paulista instaurou um procedimento investigatório próprio, enquanto a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social capitaneia o encaminhamento do relatório técnico para a Defensoria Pública a fim de avaliar medidas cíveis cabíveis contra o suspeito de cometer o crime.
No âmbito socioassistencial, o idoso segue recebendo o acompanhamento especializado das equipes de abordagem de rua, serviço que já frequenta desde 2019 em decorrência de sua vulnerabilidade e uso de substâncias químicas. Respeitando a autonomia individual do cidadão, que manifestou forte resistência em ser internado em clínicas de acolhimento coletivo por receio da convivência forçada com desconhecidos, os assistentes sociais focarão no fortalecimento de vínculos graduais de confiança, garantindo que a rede de proteção permaneça ativa para evitar que ele sofra novos abusos ou se torne alvo de outro crime.
Sobre o Autor
Fundador do Boca do Rio Magazine, estudante de Comunicação e Marketing pela UNIFACS, CEO e diretor de arte na Novo Mundo Agência e Comunicação e morador da Boca do Rio há mais de 20 anos




