Investigação aponta que esposa de magistrado usou dinheiro em espécie para erguer mansão

Investigação aponta que esposa de magistrado usou dinheiro em espécie para erguer mansão

27 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Relatório do Conselho Nacional de Justiça analisa movimentações após soltura de traficante

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução

Conselho Nacional de Justiça investiga esposa de desembargador por pagar mansão com dinheiro vivo após soltura de chefe do PCC.

Um relatório detalhado do Conselho Nacional de Justiça instaurou uma apuração rigorosa sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo o núcleo familiar de um magistrado de segunda instância. O documento expõe transações atípicas que coincidem com o período posterior a uma polêmica decisão judicial de soltura na região Centro-Oeste.

O acompanhamento técnico dos investigadores foca na conduta de Viviane Alves Gomes de Paula, esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran. A fiscalização avalia se os recursos utilizados na construção de uma residência de alto padrão possuem ligação indireta com a liberação de Gerson Palermo, apontado como chefe do PCC.

A estrutura habitacional de luxo foi edificada em um condomínio fechado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com investimentos que ultrapassam a marca de dois milhões de reais. Os relatórios da Polícia Federal indicam que a mulher realizava os repasses financeiros aos trabalhadores diretamente em cédulas físicas.

As interceptações telefônicas autorizadas pelo Poder Judiciário mostraram que Viviane estruturava encontros presenciais para repassar os montantes, fugindo dos rastreamentos eletrônicos tradicionais. O monitoramento indica que a reforma começou um ano após o marido conceder prisão domiciliar ao membro do PCC.

O criminoso beneficiado pela decisão do magistrado possuía condenações que somavam mais de um século de reclusão por envolvimento com o narcotráfico internacional. Poucas horas depois de receber o alvará para deixar o estabelecimento prisional, o detento violou o sistema de monitoramento eletrônico e fugiu.

Além dos gastos com insumos estruturais da engenharia, o casal encomendou mobília sob medida estimada em seiscentos e cinquenta mil reais. Em um dos diálogos anexados ao processo, a investigada solicita um encontro com o prestador nas dependências do tribunal para quitar os débitos pendentes de forma oculta.

Até o momento, os peritos criminais e técnicos de inteligência não conseguiram determinar a procedência real dos valores movimentados nas transações comerciais. Os materiais colhidos seguem em análise nos órgãos colegiados de fiscalização para que as medidas cabíveis sejam aplicadas conforme os preceitos legais.