Leilão do antigo Centro de Convenções fracassa e termina sem lances

Leilão do antigo Centro de Convenções fracassa e termina sem lances

27 de março de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Mesmo com valor 60% abaixo da avaliação de mercado, certame não atraiu investidores nesta quinta-feira (26)

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Nara Gentil/Arquivo CORREIO

Leilão do antigo Centro de Convenções fracassa  e não tem nenhum lance. Veja os motivos da falta de interessados.
Foto: Metropress/Filipe Luiz

A tentativa de venda do antigo Centro de Convenções da Bahia terminou de forma frustrante nesta quinta (26), sem a apresentação de nenhum lance interessado. O certame ocorreu em meio a intensos questionamentos sobre a transparência do processo e a viabilidade do edital, que oferecia o terreno por um valor significativamente inferior às estimativas.

O lance mínimo estabelecido para o Centro de Convenções foi de R$ 141,3 milhões, montante que especialistas consideram defasado. Projeções baseadas no valor do metro quadrado na região indicam que a área poderia alcançar R$ 350,7 milhões. Essa disparidade de preços motivou pedidos de impugnação do edital por parte de leiloeiros locais.

As críticas ao processo de alienação do Centro de Convenções ganharam coro na Câmara Municipal de Salvador, que acionou órgãos de controle. O vereador Claudio Tinoco ressaltou que a falta de interessados confirma os alertas feitos anteriormente. Para o parlamentar, o resultado demonstra objetivamente que o edital não possuía atratividade real.

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Um dos pontos mais sensíveis envolve a inclusão de 71 mil metros quadrados de área de preservação permanente no lote ofertado. A presença de dunas protegidas e a obrigatoriedade de demolição da estrutura antiga em oito meses elevaram o risco para os investidores. O mercado reagiu com cautela diante das inseguranças jurídicas e ambientais apresentadas.

O equipamento estadual está desativado desde 2015, sofrendo um grave desabamento estrutural no ano seguinte. Atualmente, o espaço enfrenta um cenário de abandono crônico, sendo alvo de furtos e invasões frequentes na orla soteropolitana. A degradação do imóvel impacta diretamente a economia e a segurança dos bairros vizinhos no litoral.

O governo estadual defendeu a manutenção da venda pública, apesar das tentativas de suspensão judicial por supostas irregularidades. Com o fracasso desta etapa, o destino da área permanece incerto e aguarda novos posicionamentos oficiais. A comunidade local cobra uma solução definitiva que revitalize o espaço e garanta o uso social e econômico.

Espera-se que o Ministério Público da Bahia e o Tribunal de Contas do Estado aprofundem as investigações sobre os termos da proposta. Enquanto o impasse jurídico e administrativo continua, o terreno segue como um símbolo de desperdício de patrimônio público. O setor imobiliário aguarda condições mais claras e seguras para futuras negociações.