
Lojistas de shoppings enfrentam queda histórica de público no país
20 de abril de 2026Levantamento da Abrasce aponta redução de mais de 6% no fluxo de visitantes e perda mensal de cinco milhões de frequentadores nos centros comerciais.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Ilustratativa | Pixabay

O cenário atual para os lojistas de shoppings no Brasil acendeu um sinal de alerta vermelho nas últimas semanas. Segundo dados consolidados pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), houve uma queda histórica de 6,2% no fluxo de visitantes entre os anos de 2019 e 2023. Essa retração representa a ausência de aproximadamente cinco milhões de frequentadores mensais nos estabelecimentos.
A principal preocupação dos lojistas de shoppings nesta quarta (22) é a concorrência direta com as plataformas de comércio eletrônico, que absorveram parte considerável da demanda presencial. A mudança de comportamento do consumidor, que prioriza a comodidade das compras digitais, reflete diretamente na redução do número de transações efetuadas nos corredores físicos de todo o território nacional.
Embora o movimento de pessoas tenha diminuído, os lojistas de shoppings conseguiram registrar um crescimento nominal de 4,2% no faturamento global do setor. Entre 2019 e 2025, o mercado movimentou a cifra expressiva de R$ 200,9 bilhões. Esse fenômeno é explicado pelo aumento do ticket médio, indicando que o cliente que vai ao espaço físico está gastando mais em suas visitas pontuais.

O mercado brasileiro contava com um total de 658 centros comerciais em 2025, o que demonstra uma expansão física de 14% em relação aos anos anteriores. No entanto, o aumento da Área Bruta Locável (ABL) para 18,3 milhões de metros quadrados não foi acompanhado pela recuperação total do fluxo de massa. A desproporção entre espaço disponível e visitantes reais desafia a gestão das lojas.
Para os lojistas de shoppings, a sobrevivência do negócio agora depende da criação de experiências que as telas dos smartphones não conseguem replicar. O foco tem sido deslocado de apenas vender produtos para oferecer serviços, lazer e gastronomia de alta qualidade. A ideia é transformar o local em um centro de convivência para tentar atrair os milhões de clientes que deixaram de frequentar o varejo tradicional.
Analistas de mercado alertam que a tendência de digitalização é irreversível, exigindo que os pequenos e grandes empresários adotem estratégias de multicanalidade. O desafio de converter o visitante em comprador torna-se cada vez mais complexo diante da inflação e das mudanças sazonais. O monitoramento contínuo dos dados de circulação será vital para os próximos anos de operação.



