Lula é reeleito presidente do Brasil e conquista quarto mandato após virada histórica

Lula é reeleito presidente do Brasil e conquista quarto mandato após virada histórica

26 de outubro de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Petista, que havia terminado o primeiro turno atrás do adversário, Flávio Bolsonaro, conquistou 51,79% dos votos válidos

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com 100% das urnas apuradas, o petista alcançou 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, segundo os dados eleitorais informados pelo TSE.

A vitória garante a Lula, de 80 anos, seu quarto mandato como presidente do Brasil, um feito inédito na história das eleições diretas para o cargo. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ele deverá governar o país de 1º de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2030.

O resultado também representa uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.

Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, os candidatos que chegaram ao segundo turno na liderança da primeira votação haviam conseguido confirmar a vitória na etapa decisiva. Lula rompeu essa sequência ao superar o adversário depois de começar a disputa final em desvantagem.

Lula conquista quarta vitória presidencial

Com o resultado deste domingo, Lula amplia uma trajetória eleitoral que começou com três derrotas consecutivas nas disputas pela Presidência, em 1989, 1994 e 1998.

Sua primeira vitória aconteceu em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB) no segundo turno. Quatro anos depois, foi reeleito ao vencer Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB e atualmente seu vice-presidente.

Após deixar o Palácio do Planalto em 2011, Lula retornou ao poder nas eleições de 2022, quando derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A vitória de 2026 faz do petista o primeiro político brasileiro eleito quatro vezes presidente da República pelo voto popular direto.

Caso conclua o novo mandato, Lula terá acumulado 16 anos à frente do Executivo federal, distribuídos em quatro períodos presidenciais.

Disputa contra Flávio Bolsonaro foi marcada pela polarização

Assim como em 2022, a eleição presidencial de 2026 foi marcada pela polarização entre PT e PL, desta vez com Flávio Bolsonaro representando o campo político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a campanha, Lula defendeu a continuidade de seu governo, destacando políticas sociais, medidas econômicas e o discurso de defesa da soberania nacional.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou críticas à administração federal e apresentou propostas relacionadas à economia e à segurança pública, além de questionamentos sobre o governo petista.

A campanha também foi atravessada por acusações entre os candidatos e controvérsias envolvendo integrantes do Judiciário e pessoas próximas aos dois grupos políticos.

Entre os episódios que repercutiram na disputa esteve a circulação de uma informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O senador negou a alegação, e a Justiça Eleitoral determinou a remoção de publicações que apresentavam o conteúdo como verdadeiro.

No debate realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos também trocaram acusações relacionadas a investigações e possíveis vínculos de pessoas próximas com empresários investigados, como Daniel Vorcaro.

A campanha nas ruas e nas redes sociais ganhou intensidade após o primeiro turno, quando as duas candidaturas passaram a disputar o apoio dos eleitores que haviam escolhido outros candidatos na primeira votação.

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Da liderança sindical à Presidência da República

Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula mudou-se ainda criança com a família para São Paulo.

Trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional no movimento sindical do ABC paulista. Em 1975, assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, participando das mobilizações de trabalhadores durante os últimos anos da ditadura militar.

Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Seis anos depois, foi eleito deputado federal constituinte.

Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando perdeu o segundo turno para Fernando Collor de Mello. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, sendo derrotado nas duas ocasiões por Fernando Henrique Cardoso.

A vitória veio em 2002, após uma campanha que marcou sua chegada ao Palácio do Planalto. Foi reeleito em 2006 e encerrou seu segundo mandato consecutivo em dezembro de 2010.

Prisão, retorno à política e novas vitórias

A trajetória de Lula também foi marcada pelos processos judiciais relacionados à Operação Lava Jato.

Em abril de 2018, o ex-presidente foi preso após condenação em segunda instância no caso do triplex do Guarujá. Permaneceu detido por 580 dias, até novembro de 2019, quando foi libertado após uma mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado.

Em 2021, o STF anulou condenações de Lula relacionadas a processos conduzidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, por reconhecer a incompetência daquele juízo. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do triplex.

As decisões restabeleceram seus direitos políticos, permitindo que voltasse a disputar a Presidência em 2022.

Naquela eleição, Lula derrotou Jair Bolsonaro e conquistou seu terceiro mandato presidencial.

Quatro anos depois, voltou a vencer uma eleição nacional, desta vez contra o filho do ex-adversário, Flávio Bolsonaro, assegurando sua permanência no Palácio do Planalto por mais um período.

Novo mandato começa em janeiro de 2027

Com a reeleição, Lula e Geraldo Alckmin deverão tomar posse em 1º de janeiro de 2027.

O novo governo terá pela frente debates sobre economia, segurança pública, políticas sociais e relações institucionais, temas que estiveram presentes na campanha presidencial.