
Mesmo após entrega de mega viaduto, trânsito segue caótico e Transalvador avalia túnel
17 de junho de 2026Obra do complexo José Linhares apenas deslocou o ponto de retenção entre a Paralela e a Tancredo Neves
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Valter Pontes / Secom PMS
O planejamento e a execução de grandes obras de infraestrutura viária costumam ser apontados pelas administrações públicas como as principais soluções para os gargalos históricos de mobilidade nos grandes centros urbanos. No entanto, quando as intervenções são desenhadas com foco exclusivo no escoamento do fluxo de automóveis, sem uma visão integrada do sistema de transporte coletivo e do adensamento regional, os resultados práticos podem divergir das promessas iniciais. A reincidência de pontos de lentidão em locais recém-inaugurados reacende o debate sobre a eficácia de gastos voltados apenas para o modal rodoviário, uma realidade que envolve o recém-entregue mega viaduto.
Pouco tempo após a conclusão das obras do mega viaduto José Linhares — edificado na área de convergência entre as avenidas Luís Viana Filho (Paralela) e Tancredo Neves —, o cenário de fluidez total prometido para a região não se concretizou. A autarquia municipal de trânsito, Transalvador, já se vê compelida a analisar novas intervenções de engenharia para o local. A necessidade de novos estudos surge diante da constatação de que os congestionamentos frequentes que castigavam os motoristas naquele trecho continuam a fazer parte da rotina diária na capital, mesmo com a presença do mega viaduto.
O efeito funil e o deslocamento do gargalo para o Shopping Salvador
A permanência das retenções na localidade confirma os prognósticos que haviam sido traçados por arquitetos e engenheiros urbanistas durante as fases de discussão do projeto original. A abertura das faixas de rolamento superiores do complexo funcionou apenas como um indutor que empurrou a massa de veículos algumas centenas de metros adiante. O ponto crítico de travamento se estabeleceu exatamente no trecho em que os condutores realizam a conversão à direita na Avenida Paralela, buscando acessar o Shopping Salvador e o miolo financeiro da Avenida Tancredo Neves, anulando o impacto imediato do mega viaduto.

Fontes internas ligadas ao portal Bahia Econômica indicam que, baseando-se em levantamentos volumétricos de tráfego recentes, o órgão gestor já ventila a execução de um novo projeto de grande porte para mitigar a falha. A bola da vez seria a implantação de uma passagem subterrânea, popularmente denominada como “mergulhão”, concebida para passar por baixo das vias superficiais e criar um acesso direto à Tancredo Neves. Críticos da proposta alertam para os altos custos financeiros envolvidos e para o impacto negativo de uma escavação desse porte no coração comercial da cidade, uma tentativa de remediar os reflexos do mega viaduto.
“Muitas vezes, intervenções isoladas de engenharia de tráfego apenas transferem o fluxo de um ponto para o outro, gerando novas retenções logo à frente se não houver um plano macro de transporte”, avaliam especialistas em mobilidade urbana ao analisarem o comportamento do tráfego no entorno do mega viaduto.
Preocupações com custos e paralelos com a Avenida Magalhães Neto
A possibilidade de início de um novo ciclo de canteiros de obras na região desperta receios tanto na classe empresarial quanto nos cidadãos que dependem do sistema viário local. O comércio e o setor de serviços temem que bloqueios e desvios de tráfego prolongados afastem clientes e gerem prejuízos logísticos severos na área de maior valor imobiliário da capital. Além disso, o histórico de soluções semelhantes implementadas na cidade gera desconfiança sobre o real custo-benefício dessas grandes estruturas subterrâneas.
Líderes comunitários e técnicos relembram que uma intervenção de mesma natureza técnica já foi executada no final da Avenida Professor Magalhães Neto. Naquela ocasião, a construção do mergulhão demandou um volume expressivo de recursos públicos e provocou retenções severas durante o período de execução das obras, entregando uma melhora considerada marginal e pouco expressiva para a fluidez geral do quadrante. O temor atual é que o município adentre em um ciclo de intervenções paliativas consecutivas para tentar compensar as limitações operacionais deixadas pelo desenho do mega viaduto.




