‘O serviço foi prestado’: Sem salário, terceirizados da Ufba paralisam atividades em Salvador
10 de fevereiro de 2026Trabalhadores de portaria e recepção denunciam atraso nos pagamentos de janeiro; cerca de 600 profissionais são afetados.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

A rotina nos campi da Universidade Federal da Bahia (Ufba) foi alterada por um forte protesto nesta semana. Sob o lema “O serviço foi prestado”, centenas de trabalhadores terceirizados iniciaram uma paralisação das atividades em Salvador. A categoria, composta principalmente por agentes de portaria e recepção, denuncia o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de janeiro, que deveriam ter sido quitados até o quinto dia útil de fevereiro.
A mobilização concentrou-se na portaria principal do Campus de Ondina, onde os trabalhadores “cruzaram os braços” para exigir uma solução imediata para o problema que afeta o sustento de centenas de famílias.
O Jogo de Empurra: Empresa vs. Universidade De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial (SindilimpBA) e o Siemaco, a situação expõe um conflito de responsabilidades:
- A Empresa (JSP): A prestadora de serviços JSP, de origem pernambucana, alega que os atrasos ocorrem porque a Ufba não realizou o repasse de quatro a cinco faturas do contrato.
- O Sindicato: O presidente da entidade, Maurício Roxo, rebate o argumento. “O trabalhador não tem culpa. A empresa, ao assinar o contrato, assume a responsabilidade integral. O serviço foi prestado, e o boleto do trabalhador não espera”, afirmou.
- A Ufba: A universidade, que recentemente celebrou seus 80 anos, enfrenta um cenário orçamentário crítico (“no vermelho”), o que tem dificultado a manutenção de diversos contratos administrativos em 2026.

Impacto e Mobilização Somente em Salvador, estima-se que 600 profissionais participam da paralisação. No entanto, o sindicato alerta que o número de afetados pode ultrapassar mil trabalhadores se somadas as unidades do interior do estado e outros setores de asseio e conservação.
Esta crise ocorre logo após um janeiro conturbado, marcado pelo fim de contrato com a antiga prestadora (Liderança), que foi notificada pela universidade por suspeitas de assédio e coação de funcionários. A transição para a nova empresa, que deveria normalizar os serviços, acabou gerando novos transtornos financeiros para os colaboradores.
Os trabalhadores afirmam que a paralisação continuará até que o pagamento seja depositado em conta. A Pró-Reitoria de Administração (Proad) da Ufba está sendo pressionada para intermediar o conflito e garantir a regularização dos vencimentos.



