O “xeque-mate” dos bancos na CSN: entenda a disputa pelo controle dos cimentos
18 de março de 2026Empréstimo bilionário pode virar armadilha se venda de braço operacional não for concretizada nos próximos meses.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

A CSN e um grupo de instituições financeiras travam uma queda de braço estratégica para a liberação de um empréstimo de até US$ 1,5 bilhão. O montante é considerado vital para garantir a saúde do caixa da siderúrgica, que enfrenta um calendário de vencimentos apertado. As discussões agora estão centradas nas garantias reais que envolveriam as ações da divisão de cimentos da companhia.
O movimento ocorre em um momento crítico, já que a CSN possui cerca de US$ 180 milhões em títulos de dívida (bonds) vencendo no exterior já em abril. Além disso, a empresa precisa lidar com R$ 6,6 bilhões em compromissos bancários que expiram ainda este ano. O novo crédito, negociado com juros elevados na casa dos 15%, serviria como um balão de oxigênio temporário para a gestão.
Os bancos, no entanto, impuseram condições rígidas para assinar o contrato. Eles exigem um compromisso formal do empresário Benjamin Steinbruch para a venda futura da CSN Cimentos. A ideia das instituições é amarrar o acordo de forma que, caso a venda não ocorra no prazo estipulado, os próprios credores tomem o controle do ativo para aliená-lo e recuperar os valores emprestados no mercado.

Fontes do setor enxergam a operação como uma faca de dois gumes. Enquanto alguns analistas classificam o termo como uma “armadilha” contratual, outros veem apenas uma medida de segurança necessária para dar tempo à empresa concluir seu plano de desinvestimento. O valor estimado para o negócio da divisão de cimentos gira em torno de US$ 2,5 bilhões, o que atrairia grandes players internacionais.
O processo de venda já desperta o interesse de pelo menos dez empresas, que devem assinar acordos de confidencialidade para avaliar os dados contábeis. Um ponto sensível na negociação é o fornecimento de escória, subproduto da siderurgia essencial para o cimento. Garantir que a CSN não interrompa esse fluxo após a venda é um dos fatores de risco que mais preocupam os potenciais compradores.
A clareza nos contratos de fornecimento operacional será determinante para o sucesso do leilão do ativo. Sem a divisão de cimentos, o grupo perderia uma fatia importante de diversificação, mas ganharia a liquidez necessária para abater sua dívida bruta. A decisão de Steinbruch nos próximos dias definirá o rumo da estrutura de capital de um dos maiores conglomerados industriais do Brasil.
Para o mercado financeiro, a resolução deste impasse é aguardada com cautela, refletindo diretamente no preço das ações da companhia na bolsa. A pressão dos bancos evidencia que o tempo da CSN para ajustes internos está se esgotando diante do cenário macroeconômico atual. O desfecho dessa operação selará o destino da divisão que hoje é a principal moeda de troca do grupo.



