Pão de sal fica mais caro após aumento da farinha de trigo

Pão de sal fica mais caro após aumento da farinha de trigo

10 de agosto de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Entidades do setor estimam que o valor final do produto suba em até 4%, forçando padarias a mudarem estratégias para não perder clientes

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Freepik

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O pão de sal tem sido o centro das atenções no setor de panificação do país em virtude da forte pressão exercida pela alta da farinha de trigo. Com a matéria-prima registrando aumentos atípicos entre 12% e 15% no ano, os estabelecimentos comerciais têm absorbido parcela considerável desses custos para evitar o repasse direto às prateleiras. Como o insumo representa até 70% da receita do cobiçado pão francês, o momento exige cautela extrema e ajustes minuciosos na gestão financeira das padarias.

A relevância do pão de sal no hábito diário do consumidor brasileiro transforma o produto em um verdadeiro chamariz para os estabelecimentos de bairro. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), em anos normais os reajustes do trigo costumam flutuar perto de 5%. Por se tratar de um alimento indispensável na mesa das famílias, repassar integralmente a inflação da matéria-prima causaria fuga imediata de clientes ou a troca por opções mais baratas, forçando os comerciantes a reduzirem a própria margem de lucro.

Estratégias de contenção e o preço do pão de sal nas padarias

Diante da necessidade de manter o fluxo de vendas do pão de sal, a expectativa do setor é que o reajuste acumulado nas estufas fique limitado a cerca de 4%. A estratégia da indústria de panificação consiste em concentrar as margens de recomposição em produtos considerados secundários ou de conveniência, a exemplo de doces, biscoitos e itens de confeitaria folhada. Dessa maneira, preserva-se a movimentação matinal dos clientes no balcão, estimulando a compra indireta de outros gêneros alimentícios.

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Além do comércio varejista, os moinhos processadores também enfrentam contratempos severos para equilibrar as cotações do pão de sal ao longo da cadeia produtiva. O Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR) aponta que os moinhos tentaram repassar aumentos na ordem de 10% a 15%, mas encontraram forte resistência nas negociações com a indústria compradora. Para evitar operações sem rentabilidade, diversas empresas optaram por desacelerar o ritmo de moagem e diminuir metas de volume.

Impactos climáticos e incertezas na safra de trigo

O cenário desafiador em torno do pão de sal é intensificado por fatores geopolíticos e climáticos que afetam diretamente a oferta do cereal. Fenômenos como o Super El Niño provocaram estragos nas lavouras do Rio Grande do Sul, somados à redução global na área plantada do grão no território nacional. Paralelamente, há uma preocupação constante com a qualidade das remessas importadas da Argentina, que atua como a principal fornecedora do trigo utilizado na panificação brasileira.

A conjuntura atual faz deste um dos períodos mais complexos para a cadeia do trigo nas últimas duas décadas, exigindo jogo de cintura entre moinhos, padarias e consumidores. Mesmo diante desse panorama adverso, a cadeia de panificação nacional segue priorizando a estabilidade do produto no balcão como forma de manter a sustentabilidade do comércio local.