
Preço do arroz apresenta oscilação e mercado enfrenta dificuldade de repasse
23 de abril de 2026Produtores aguardam leilões de apoio enquanto varejo demonstra cautela para evitar novos reajustes ao consumidor final.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Wenderson Araújo / CNA

O cenário econômico para um dos principais itens da cesta básica brasileira apresenta um panorama de indefinição e braço de ferro entre os elos da cadeia produtiva nesta quinta (23). De um lado, produtores rurais buscam valorizar o produto para cobrir custos operacionais; de outro, o setor varejista demonstra forte resistência em absorver novos aumentos. Essa dinâmica tem gerado uma oscilação constante nos preços praticados nas principais regiões produtoras do país.
A análise técnica do setor indica que muitos agentes estão operando com estoques reduzidos, o que naturalmente forçaria uma busca maior pela reposição do cereal. Entretanto, a dificuldade de repassar esses valores para o consumidor final, que já enfrenta um orçamento apertado, faz com que o atacado e o varejo atuem com extrema cautela. Esse movimento de retração nas compras evita disparadas abruptas, mas mantém o mercado em um estado de vigilância constante.
O mercado de arroz em casca registra uma cotação de R$ 62,89 por saca de 50 quilos, acumulando uma valorização de 1,04% ao longo do mês de abril. Os dados são do indicador Cepea/Irga-RS e refletem o equilíbrio sensível entre a oferta disponível no campo e a demanda real de processamento pelas indústrias beneficiadoras.

Um dos fatores centrais que mantém as negociações em ritmo de espera é a divulgação dos editais dos leilões de apoio à comercialização, especificamente os mecanismos de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro). Esses instrumentos são fundamentais para garantir a renda do produtor e equilibrar o fluxo de escoamento da safra, influenciando diretamente a formação de preços no mercado interno.
Especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacam que, enquanto esses editais não forem publicados, o mercado deve seguir em compasso de espera. A incerteza sobre o volume de apoio governamental faz com que compradores e vendedores evitem fechar grandes lotes, preferindo negociações pontuais de curto prazo. Esse comportamento reflete a tentativa do setor de não sobrecarregar o preço final nas gôndolas antes de uma definição oficial.
Para o consumidor, a situação traduz-se em uma estabilidade frágil. Embora o preço do arroz não tenha apresentado saltos drásticos nas últimas semanas, a pressão nos custos de logística e produção continua latente. O acompanhamento das próximas rodadas de negociação no Rio Grande do Sul, principal estado produtor, será determinante para saber se o arroz manterá a tendência de alta leve ou se encontrará um novo patamar de equilíbrio nos próximos meses da safra 2026.



