Raízen: saiba os detalhes da nova venda de usinas aprovada pelo Cade

Raízen: saiba os detalhes da nova venda de usinas aprovada pelo Cade

6 de abril de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Entenda como a transação impacta o plano de reestruturação da gigante do setor de energia e o foco em seu negócio principal de combustíveis.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

Cade aprova venda de usina de biogás da Raízen para Grupo Gera. Saiba mais sobre o plano de dívida da companhia.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou oficialmente, nesta segunda (06), a venda de ativos de geração distribuída da Raízen para o Grupo Gera Energia. A operação, autorizada sem qualquer restrição, envolve a transferência de 100% da Bio Polaris, unidade controlada indiretamente pela gigante do setor de energia e biocombustíveis.

A transação faz parte de um movimento estratégico da Raízen para concentrar seus esforços e recursos financeiros em seu core business. A companhia vem realizando uma série de desinvestimentos no segmento de geração distribuída, buscando simplificar sua estrutura operacional enquanto foca na produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis.

Pelo lado do comprador, o Grupo Gera afirmou que a aquisição da Bio Polaris é fundamental para expandir sua capilaridade no setor elétrico nacional. A unidade adquirida detém uma central de minigeração movida a biogás, o que permite ao grupo fortalecer sua presença tanto em mercados onde já opera quanto em novas frentes de negócio.

No ano passado, a Raízen já havia movimentado o mercado ao vender 55 usinas de geração distribuída para a Thopen Energia e o próprio Grupo Gera. Aquela operação foi avaliada em cerca de R$ 600 milhões, totalizando uma capacidade instalada de 142 megawatts-pico (MWp), consolidando a saída gradual da empresa deste nicho específico.

Paralelamente ao desinvestimento aprovado nesta segunda (06), a companhia avança em seu plano de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de US$ 12,6 bilhões. A proposta apresentada aos credores sugere a conversão de 45% do passivo em ações ordinárias, o que poderia transferir até 70% do controle acionário para os detentores da dívida.

O plano de reestruturação da Raízen prevê ainda um período de carência de pelo menos cinco anos para o pagamento dos compromissos financeiros. Caso a proposta seja aceita, a alavancagem da empresa deve cair significativamente, abrindo espaço para uma possível separação futura entre as unidades de agronegócio e as operações de varejo.

A aprovação do Cade ocorre em um momento crucial para a governança da Raízen, que busca recuperar a confiança do mercado financeiro e dos investidores. A venda de ativos menores e não estratégicos auxilia na manutenção do fluxo de caixa imediato, enquanto as grandes decisões sobre a conversão da dívida são debatidas em assembleias.

Especialistas do setor de energia observam que o movimento da Raízen reflete uma tendência de consolidação no mercado de geração distribuída. Com a saída de grandes players como a RAIZ4, grupos especializados em energia renovável ganham espaço para crescer, garantindo a continuidade da operação das usinas de biogás em todo o Brasil.