Entidades reúnem 43% dos votos necessários e ameaçam boicote contra venda de ações a investidores
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Getty Images
A decisão da Uefa e da Concacaf de se posicionarem oficialmente contra a proposta da Fifa de criar uma empresa privada para gerir suas competições complicou a estratégia do presidente Gianni Infantino. A ideia de vender ações minoritárias do portfólio comercial da entidade esbarra diretamente na matemática do conselho de votação, tornando a aprovação do projeto uma tarefa de extrema dificuldade.
Juntas, a Uefa (55 votos) e a Concacaf (35 votos) somam 90 das 211 federações nacionais filiadas à Fifa. O montante representa 43% do total de eleitores, deixando Infantino com a necessidade de obter apoio quase unânime nos demais continentes para alcançar o patamar mínimo de 106 votos até 19 de setembro.
“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, destacou a Uefa em nota oficial.
O cenário político e a matemática das confederações
Além do posicionamento contrário do bloco europeu e das Américas do Norte e Central, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) — que possui 46 membros — criticou publicamente a condução do tema por ter sido mantido em segredo até o anúncio oficial.
A distribuição do mapa político da votação se desenha da seguinte forma:
Uefa (Europa): 55 votos — Posição: Contrária (ameaça de boicote);
Concacaf (América do Norte, Central e Caribe): 35 votos — Posição: Contrária;
AFC (Ásia): 46 votos — Posição: Críticas públicas ao processo;
Conmebol (América do Sul): 10 votos — Posição: Indefinida;
OFC (Oceania): 11 votos — Posição: Reunião agendada para agosto.
O que prevê o projeto da Fifa e a ameaça de boicote
A proposta de Infantino prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,3 bilhões). A comercialização de fatias minoritárias arrecadaria US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões), montante que a Fifa planeja utilizar para elevar o repasse financeiro a cada federação membro — passando de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por ciclo.
Apesar da atração financeira, a Uefa endureceu o tom e garantiu que nenhuma seleção de suas 55 associações participará de torneios organizados pela Fifa enquanto o plano não for abandonado. O impasse coloca sob incerteza o ecossistema das grandes competições internacionais, incluindo a Copa do Mundo Feminina marcada para ser realizada no Brasil.