Selic hoje: por que a guerra longe do Brasil pode impedir a queda dos juros?
18 de março de 2026 Off Por Boca do Rio MagazineEntenda como o conflito no Oriente Médio afeta desde o preço do diesel até o seu financiamento e o rendimento da poupança.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Getty Images via BBC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta (18) a nova taxa Selic, em um cenário de incerteza global. O que antes era uma expectativa de queda nos juros foi abalado pelo início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. O ataque de EUA e Israel provocou uma disparada no preço do petróleo, que agora flutua acima da marca de US$ 100.
O conflito internacional impacta diretamente a economia brasileira através dos combustíveis. Com o aumento do diesel anunciado pela Petrobras, o temor de uma inflação espalhada por alimentos e serviços cresceu. Diante disso, a Selic torna-se a ferramenta principal para conter a alta de preços, mesmo que isso signifique manter o crédito mais caro para o consumidor.
Desde junho do ano passado, os juros estão fixados em 15%, o maior patamar em quase duas décadas. Antes do conflito, o mercado apostava em um corte de 0,5 ponto percentual, mas agora o cenário é de cautela extrema. A Selic alta desestimula o consumo e o investimento, encarecendo empréstimos e financiamentos imobiliários em todo o território nacional.

O Boletim Focus desta segunda (17) já reflete esse pessimismo, elevando a projeção da inflação para 4,1% ao ano. Para 2026, a meta central é de 3%, com um teto de tolerância de 4,5%. Se o Copom perceber que o cumprimento da meta está em risco, a Selic poderá permanecer inalterada ou sofrer uma redução muito mais lenta do que o planejado originalmente.
Na prática, juros elevados tornam mais vantajoso poupar dinheiro em renda fixa, mas castigam quem precisa de crédito ou possui dívidas no cartão. O governo federal tentou conter os danos com isenções tributárias, mas a duração da guerra no Irã ditará o ritmo da Selic nos próximos meses. O custo de vida do brasileiro está, hoje, atrelado ao barril de petróleo.
A autonomia do Banco Central permite que a decisão técnica priorize o controle do IPCA sobre o crescimento imediato do PIB. Investimentos produtivos tendem a cair quando a taxa básica está alta, gerando menos empregos e renda. Por outro lado, a Selic controlada evita o retorno da hiperinflação, protegendo o poder de compra das classes com menor renda.
O resultado da reunião do Copom será divulgado ao final do dia, trazendo as justificativas para o novo patamar dos juros. Analistas estarão atentos à ata para entender se o ciclo de flexibilização foi apenas adiado ou cancelado. A Selic continua sendo o termômetro da estabilidade econômica em um mundo marcado por tensões geopolíticas imprevisíveis.



