Sergio Moro no PL: o movimento que esvaziou o partido

Sergio Moro no PL: o movimento que esvaziou o partido

26 de março de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Entenda por que dezenas de prefeitos decidiram abandonar a legenda de Bolsonaro após a confirmação do novo candidato.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Prefeitura de Apucarana e Marcos Oliveira/Agência Senado

Sergio Moro no PL causa saída de 45 prefeitos no PR. Entenda a crise e o apoio dos mandatários a Ratinho Jr.

A oficialização da entrada de Sergio Moro no Partido Liberal (PL) gerou uma crise política sem precedentes no diretório do Paraná nesta quinta (26). O ex-juiz da Lava Jato se filiou à legenda com o objetivo de disputar o governo do estado, mas a movimentação provocou a saída imediata de 45 dos 52 prefeitos que integravam a base da sigla.

Os mandatários paranaenses realizaram um anúncio coletivo em Curitiba para formalizar o desligamento, alegando que a candidatura de Sergio Moro foi imposta sem o aval da ala regional. O deputado federal Fernando Giacobo também deixou a presidência estadual da legenda, sendo substituído por Filipe Barros, que deve compor a chapa majoritária.

A principal queixa dos prefeitos dissidentes foca na distância do senador em relação às demandas reais dos municípios. Segundo lideranças da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), o parlamentar prioriza debates nacionais e desconhece os problemas locais. O grupo afirma que não pretende abrir mão da aliança histórica com o atual governador.

O racha interno fortalece o projeto político de Ratinho Jr. (PSD), que conta com aprovação recorde de 85,5% da população. Os prefeitos que abandonaram o PL ressaltam que a gestão atual é marcada por entregas em mobilidade e educação. A saída em bloco sinaliza uma migração em massa para o PSD ou legendas aliadas ao Palácio Iguaçu.

Com o novo cenário, o governador paranaense desistiu de ventilar uma candidatura à Presidência da República para focar na sucessão estadual. Nomes como Eduardo Pimentel e Guto Silva ganham força nos bastidores para enfrentar o ex-juiz nas urnas. O tabuleiro eleitoral sofreu uma reviravolta que obriga o PL a reconstruir suas bases no interior.

O sentimento de “ingratidão” foi citado por Michel Micheletto, prefeito de Assis Chateaubriand e um dos líderes da debandada. Ele reforça que o municipalismo de Ratinho Jr. é o diferencial que mantém os prefeitos unidos contra a nova aposta do PL. A estratégia de Moro agora dependerá de conquistar o eleitorado sem o apoio das máquinas locais.

Analistas políticos observam que a estratégia nacional do PL, ao abrigar o senador, pode ter sacrificado a capilaridade da sigla no terceiro maior estado do Sul. O impacto dessa renúncia coletiva será sentido nas convenções partidárias e no tempo de televisão. A disputa pelo governo do Paraná promete ser uma das mais acirradas e complexas de 2026.