Superlotação do circuito Barra-Ondina reacende debate sobre novo circuito no Carnaval de Salvador
16 de fevereiro de 2026 Off Por Marcelo GarciaCircuito Dodô lota e levanta o questionamento sobre até onde a festa pode crescer sem colocar o folião em risco
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Filipe Miranda

A superlotação do circuito Dodô, na Barra-Ondina, voltou a expor os limites do modelo atual do Carnaval de Salvador e reacendeu o debate sobre a criação de um novo circuito oficial na cidade. No sábado de Carnaval, mais de 1 milhão de pessoas se concentraram apenas nesse trecho, número que voltou a levantar alertas sobre segurança, mobilidade e controle de multidões.
Diante do cenário, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, pregou cautela e deixou claro que qualquer decisão precisa passar, antes de tudo, pela capacidade operacional das forças de segurança. Segundo ele, a abertura de um novo circuito não pode ser feita de forma apressada e pode, inclusive, exigir a redução de atrações ou estrutura em trajetos já existentes. Para Werner, a segurança precisa “ir sempre na frente”, especialmente em uma festa marcada por consumo de bebida alcoólica, música intensa e grandes aglomerações.
Apesar da pressão provocada pela lotação recorde, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, descartou a criação de um novo circuito. Ele argumenta que a estratégia da Prefeitura tem sido fortalecer o Campo Grande e o Centro Histórico, que chegaram a perder protagonismo em edições anteriores. Dados apresentados pela gestão municipal mostram um contraste evidente: enquanto a Barra-Ondina reuniu mais de 1 milhão de foliões no sábado, o Campo Grande recebeu 442 mil e o Pelourinho, 41 mil.
Para o prefeito, o crescimento do público está diretamente ligado ao aumento do turismo e à ocupação hoteleira máxima registrada neste Carnaval. Ainda assim, episódios de tumulto, dificuldades de deslocamento e necessidade de intervenções emergenciais voltaram a alimentar críticas sobre a concentração excessiva de atrações na orla.

A discussão ganhou ainda mais força após manifestações de artistas. A cantora Anitta, que puxou um dos trios mais lotados do circuito, sugeriu mudanças na dinâmica da festa, como maior espaçamento entre os trios, para reduzir a pressão sobre o público e melhorar o controle do fluxo. Essa declaração veio após relatos de empurra-empurra e foliões passando mal durante sua apresentação.
Situações extremas também marcaram o domingo. Uma das apresentações mais aguardadas do dia, o Olodum atravessou o Morro do Cristo sem tocar, seguindo orientação da Polícia Militar, devido à superlotação. A decisão gerou vaias e frustração do público.
Enquanto isso, o Governo do Estado reforça que o investimento em segurança chegou a R$ 110 milhões neste Carnaval, com cerca de 37 mil profissionais atuando em Salvador e no interior. Ainda assim, a própria SSP reconhece que apenas ampliar o mapa da festa não resolve o problema se não houver efetivo, planejamento urbano e consenso entre estado, prefeitura, artistas e comunidade.
A superlotação da Barra-Ondina, mais uma vez, transforma o Carnaval de Salvador em um campo de disputa entre crescimento, segurança e organização. O debate sobre um novo circuito segue aberto, mas cada vez mais marcado por uma pergunta incômoda: até onde a festa pode crescer sem colocar o folião em risco.
Sobre o Autor
Fundador do Boca do Rio Magazine, estudante de Comunicação e Marketing pela UNIFACS, CEO e diretor de arte na Novo Mundo Agência e Comunicação e morador da Boca do Rio há mais de 20 anos


