Taxa no Aeroporto de Salvador: entenda como vai funcionar o “Kiss & Fly”
16 de março de 2026 Off Por Boca do Rio MagazineVinci Airports planeja cobrança para organizar fluxo, mas órgãos municipais questionam instalação de cancelas em via pública.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

O Aeroporto Internacional de Salvador deve implementar, ainda neste primeiro semestre, o sistema “Kiss & Fly” (Beijo e Voo). A medida, anunciada pela administradora Vinci Airports, prevê a cobrança de uma taxa para motoristas que permanecerem por mais de 10 minutos nas áreas de embarque e desembarque. Embora o objetivo divulgado seja organizar o tráfego e evitar congestionamentos, a novidade encontra forte resistência entre trabalhadores do transporte e usuários.
Para quem utiliza o Aeroporto de Salvador diariamente, como os motoristas de aplicativo, o tempo de 10 minutos é visto como irreal. Fatores como o auxílio a passageiros com mobilidade reduzida, a organização de grandes volumes de bagagens e o tempo de processamento de pagamentos via Pix são apontados como obstáculos que frequentemente estendem a parada. O receio da categoria é que a taxa torne muitas corridas financeiramente inviáveis.
A legalidade da operação também está sob a lupa de órgãos municipais. Informações exclusivas indicam que a Transalvador e a Procuradoria Geral do Município questionam a instalação de mecanismos de controle tarifado em áreas que podem ser consideradas vias públicas. O órgão de trânsito ressalta que qualquer iniciativa desse porte precisa observar a legislação vigente sobre a gestão do espaço urbano da capital baiana.

Além do impasse no terminal aéreo, os motoristas de Salvador enfrentam mudanças no sistema de Zona Azul. Recentemente, trechos da orla entre Patamares e Piatã passaram a adotar tarifa única de R$ 6 por até seis horas. A alteração dividiu opiniões: se por um lado beneficia quem planeja passar o dia na praia, por outro, encarece a permanência curta de surfistas e trabalhadores que utilizam o espaço por menos de duas horas.
O Procon-BA também mantém o alerta sobre práticas abusivas em estacionamentos privados da cidade. A operação “Parking Legal” autuou, recentemente, 28 estabelecimentos por irregularidades como a falta de tabela de preços e a cobrança indevida de horas cheias em vez da fração proporcional. Segundo o órgão, cobrar vantagem excessiva fere o Código de Defesa do Consumidor e deve ser alvo de denúncia por parte dos cidadãos.
A Vinci Airports informou que os valores e a data exata do início do Kiss & Fly serão comunicados com antecedência, prometendo um período de adaptação. No entanto, o histórico de preços elevados nos estacionamentos de Salvador — que chegam a R$ 30 a primeira hora no aeroporto e R$ 15 em grandes shoppings — mantém os condutores em estado de alerta. O planejamento financeiro torna-se, cada vez mais, uma peça chave para quem circula pela capital.
Em um cenário de juros altos e queda no poder de compra, a criação de novas taxas de mobilidade urbana impacta diretamente o custo de vida. Enquanto a administração do aeroporto foca na fluidez do trânsito, a sociedade civil e os órgãos de fiscalização cobram equilíbrio para que o direito de ir e vir não seja cerceado por cobranças que muitos consideram abusivas no acesso ao principal portão de entrada da Bahia.



