
Tesouro Selic, IPCA+ ou Prefixado: quanto de cada devo ter na carteira?
21 de maio de 2026Selic venceu no último mês, mas os analistas da EQI Research apostam em manter um pouco dos outros dois na carteira para atravessar o que vem em diante, sobretudo se a guerra no Irã durar ainda mais
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Gettyimages

Montar uma estratégia de alocação eficiente no ambiente de renda fixa tornou-se um desafio essencial para quem busca proteger o patrimônio. No fechamento do último mês, os ativos pós-fixados apresentaram um desempenho superior, impulsionados pelo patamar em que se encontra a taxa selic. Contudo, diante de um horizonte macroeconômico repleto de incertezas globais e pressões inflacionárias, depender de apenas um indexador pode comprometer os ganhos reais de longo prazo.
Em relatório divulgado pela casa de análise EQI Research, o especialista João Abdouni ponderou que os rendimentos das opções prefixadas e indexadas à inflação (IPCA+) exibem sinais de recuperação expressivos. Essa melhora no prêmio de risco torna esses papéis atraentes inclusive para os investidores de perfil conservador. O atual panorama internacional, marcado pelo prolongamento dos conflitos geopolíticos no Irã, adicionou forte volatilidade às projeções de juros, sustentando a cotação do barril de petróleo em patamares elevados e alterando as expectativas de afrouxamento monetário nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, os desafios não são menores. O mercado financeiro observa uma preocupante aceleração nos índices de preços em 12 meses, que flertam perigosamente com o teto da meta estipulada. Adicionalmente, as discussões em torno do déficit fiscal continuam exercendo pressão sobre as curvas de juros futuros. Essa conjuntura sugere que o Banco Central do Brasil poderá adotar uma postura mais cautelosa, limitando a extensão do ciclo de redução da taxa selic nos próximos comitês.

Para navegar por este mar de volatilidade, a recomendação de investimentos varia de acordo com a tolerância ao risco de cada indivíduo, priorizando os papéis de emissão pública em detrimento dos privados. Para a parcela mais conservadora do mercado, a indicação é direcionar 70% do capital para a taxa selic (com foco exclusivo em títulos com vencimento em março de 2030), guardando 20% para opções atreladas ao IPCA+ e 10% para os papéis prefixados.
Para os cidadãos com perfil de investimento moderado, os percentuais mudam ligeiramente. A sugestão passa a ser de 52,5% no pós-fixado, 30% em títulos protegidos contra a inflação e 17,5% em prefixados. Já para os investidores com perfil arrojado ou agressivo, a composição ideal envolve reduzir a exposição na taxa básica para 42,5%, elevando o investimento em IPCA+ para 35% e os prefixados para 22,5%. Entre os títulos de taxa fixa, a equipe técnica recomenda concentrar os recursos nas opções com vencimento projetado para janeiro de 2028, adicionando uma fatia menor em julho de 2026.





