País contabiliza dezenas de ocorrências e entra no período de maior vulnerabilidade para tempestades
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/Facebook
Os tornados têm registrado uma sequência impressionante de ocorrências no Brasil em 2026, com potencial para estabelecer um recorde histórico no número de notificações. Após os estragos causados na cidade de Giruá (RS), o país já contabiliza 81 eventos reportados até o mês de julho — aproximando-se do pico atingido em 2025, quando foram documentados 92 episódios.
O cenário ganha gravidade pelo fato de o país ainda não ter ingressado na fase de maior incidência. O período crítico ocorre habitualmente entre o final do inverno e a primavera, quando a atuação de um El Niño forte potencializa tempestades severas.
“A combinação de condições atmosféricas favoráveis e o monitoramento colaborativo apontam para um período que exige prontidão reforçada, especialmente na Região Sul”, destaca a Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots).
Por que o Brasil concentra uma alta taxa de tornados?
O Brasil é considerado o segundo país do mundo mais propenso à formação de tornados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Esse fenômeno é caracterizado por um funil de ar em rotação intensa que se projeta a partir da base de uma nuvem de tempestade até atingir a superfície terrestre.
A formação depende de condições específicas para se concretizar:
Tempestade Severa: Presença de correntes de ar ascendentes de alta intensidade dentro da nuvem;
Cisalhamento do Vento: Mudança rápida na direção e velocidade do vento nos primeiros mil metros de altitude;
Jato de Baixos Níveis: Escomento de ar quente e úmido vindo da Amazônia que encontra massas de ar frio da Patagônia.
O epicentro dessa faixa de risco concentra-se no contorno oeste dos estados do Sul e no sul de Mato Grosso, embora registros também ocorram em estados do Sudeste, como São Paulo.
Desafios na previsão e o debate sobre o aumento dos registros
A previsão exata do ponto de toque e do horário de um tornado permanece como um dos maiores desafios da meteorologia. A janela para alertas preventivos em tempestades do tipo supercélula varia de 15 a 30 minutos no máximo, permitindo apenas a identificação antecipada das condições atmosféricas favoráveis na região.
A maior frequência de tornados nos relatórios dividem interpretações entre os pesquisadores. Por um lado, a popularização de celulares com câmeras e o aumento populacional facilitam o registro imediato de fenômenos de curta duração. Por outro, meteorologistas alertam para os impactos diretos do aquecimento global, que expande a área de contraste entre massas de ar e intensifica os temporais no continente.