Tragédia nas Maldivas: sargento experiente morre de doença da descompressão em busca submarina

Tragédia nas Maldivas: sargento experiente morre de doença da descompressão em busca submarina

19 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Militar tentava resgatar turistas italianos desaparecidos em cavernas a dezenas de metros de profundidade

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/@MMuizzu via X

Um sargento morreu de doença da descompressão nas Maldivas durante resgate. Saiba como o nitrogênio forma bolhas perigosas no sangue na subida rápida.

O universo do mergulho profissional e as equipes de resgate internacional registraram uma ocorrência fatal decorrente de um dos acidentes físicos mais severos associados à atividade subaquática de grande profundidade. O sargento-mor Mohamed Mahudhee perdeu a vida no arquipélago das Maldivas após desenvolver um quadro agudo da chamada doença da descompressão. O militar integrava uma força-tarefa governamental em busca de quatro cidadãos de nacionalidade italiana desaparecidos no Atol de Vaavu, em um complexo de cavernas submarinas localizado a dezenas de metros da superfície.

A patologia manifestada no organismo do sargento configura o principal fator de risco em incursões na plataforma marítima profunda e ocorre quando a dinâmica de retorno à superfície é executada sem o respeito aos intervalos cronológicos necessários. Sob condições normais, ao nível do mar, o corpo humano suporta a pressão padrão de uma atmosfera. Todavia, a cada progressão vertical de dez metros em ambiente aquático, adiciona-se uma atmosfera de pressão física externa, alterando de forma drástica a solubilidade dos elementos gasosos na circulação.

O ar comprimido utilizado nos cilindros de respiração possui elevada concentração de nitrogênio, elemento que costuma permanecer inerte no metabolismo cotidiano. Sob forte compressão hidrostática, contudo, esse gás passa a difundir-se e liquefazer-se em volumes massivos nos tecidos biológicos, nos grupos musculares, nos depósitos adiposos e na estrutura cerebral. Enquanto o indivíduo permanece estabilizado no leito submerso, o elemento químico mantém-se diluído sem gerar lesões imediatas; o perigo crítico reside na etapa de ascensão.

A liberação do nitrogênio armazenado depende diretamente da atividade dos alvéolos pulmonares por meio da mecânica respiratória contínua. Caso o deslocamento vertical seja rápido demais, o fluxo sanguíneo não completa os ciclos de passagens necessários pelos pulmões para realizar a purga gasosa. Com o decréscimo abrupto da carga de pressão externa, o elemento químico deixa o estado líquido e retorna à forma gasosa no interior do sistema vascular, gerando um efeito de efervescência similar à abertura de um recipiente de refrigerante.

As microbolhas resultantes desse processo atuam como coágulos de ar ou trombos gasosos móveis que bloqueiam o fluxo nas artérias e capilares periféricos, gerando episódios de hipóxia celular pela interrupção do fornecimento de oxigênio. Em quadros clínicos de menor intensidade, os indivíduos reportam episódios de fadiga, dor articular crônica, manchas dérmicas e tonturas. Nas manifestações severas, os danos englobam destruição alveolar, acidentes vasculares cerebrais, paradas cardiorrespiratórias e lesões na medula espinhal que podem resultar em paraplegia.

O manejo terapêutico para estabilização de sobreviventes exige o encaminhamento urgente do paciente a instalações dotadas de câmaras hiperbáricas, onde a atmosfera é controlada artificialmente em níveis elevados para reduzir o diâmetro das bolhas e permitir a eliminação paulatina do gás. No evento das Maldivas, a varredura tática transcorria em perímetros próximos aos 50 metros de profundidade — patamar que excede as recomendações de segurança recreativa habituais, fixadas em 40 metros — exigindo um esforço físico que potencializou o desfecho trágico do sargento.