
Ushuaia nega ser origem de surto de hantavírus em cruzeiro
11 de maio de 2026 Off Por Marcelo GarciaAutoridades sanitárias da Terra do Fogo afirmam que a província nunca registrou casos da doença em sua história oficial
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Getty Images

A famosa cidade de Ushuaia, conhecida mundialmente como o fim do mundo, está no centro de uma investigação sanitária internacional após um surto de hantavírus. As autoridades locais negam veementemente que a região seja a origem da infecção detectada no navio holandês MV Hondius nesta segunda (11). O governo da Terra do Fogo ressalta que a província jamais registrou casos da doença desde que o sistema de vigilância foi criado.
De acordo com especialistas em epidemiologia, a região de Ushuaia possui características climáticas e geográficas que dificultam a sobrevivência do camundongo transmissor. O diretor Juan Facundo Petrina enfatizou que o roedor de cauda longa não habita a ilha, situada ao sul do Estreito de Magalhães. Para ele, as baixas temperaturas e a umidade específica do extremo sul argentino são barreiras naturais contra o desenvolvimento desse vírus específico.
A teoria de que turistas teriam se infectado em um aterro sanitário perto de Ushuaia é classificada como improvável pelos técnicos provinciais. Eles acreditam que o contágio possa ter ocorrido em zonas endêmicas localizadas a mais de mil e quinhentos quilômetros ao norte da cidade. O período de incubação do hantavírus sugere que os pacientes podem ter contraído a enfermidade durante viagens prévias por outras regiões montanhosas da Patagônia.

Apesar da defesa local, o Ministério da Saúde enviará peritos para coletar amostras de roedores em Ushuaia para descartar qualquer mudança nos ecossistemas. A urgência do estudo também é econômica, já que o porto é a principal porta de entrada para expedições antárticas e cruzeiros internacionais. Qualquer impacto negativo na reputação sanitária da província pode afetar diretamente milhares de empregos vinculados ao setor de turismo receptivo.
Atualmente, o fluxo de visitantes em Ushuaia permanece estável e sem registros de cancelamentos oficiais por parte das grandes operadoras de viagens marítimas. Os turistas que circulam pelo Canal de Beagle relatam tranquilidade, baseando-se na ausência de notificações de moradores locais doentes. As autoridades continuam monitorando os registros de fronteira para reconstruir o itinerário detalhado dos passageiros que apresentaram os sintomas fatais.
A expectativa é que os exames laboratoriais realizados em Tenerife tragam novas pistas sobre a cepa viral encontrada nos tripulantes do navio. Enquanto isso, a cidade de Ushuaia reforça suas campanhas de prevenção e higiene para manter a segurança de quem busca explorar as belezas naturais. O desfecho da investigação será fundamental para garantir que o destino continue sendo visto como um local seguro para os amantes de aventuras extremas.
Sobre o Autor
Fundador do Boca do Rio Magazine, estudante de Comunicação e Marketing pela UNIFACS, CEO e diretor de arte na Novo Mundo Agência e Comunicação e morador da Boca do Rio há mais de 20 anos



