Vale (VALE3) tem prejuízo de R$ 21 bilhões, mas analistas veem balanço positivo; é hora de comprar ou vender?

Vale (VALE3) tem prejuízo de R$ 21 bilhões, mas analistas veem balanço positivo; é hora de comprar ou vender?

13 de fevereiro de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Especialistas divergem sobre compra ou venda das ações VALE3

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Zé Palma

Vale (VALE3) teve prejuízo bilionário. É hora de comprar ou vender as ações? Apesar do resultado assustar, analistas consideraram o balanço bastante positivo

A mineradora Vale (VALE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo de R$ 21,04 bilhões, ante prejuízo de R$ 4,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, a companhia registrou lucro de R$ 13,8 bilhões, mas o resultado representa queda anual de 56% em comparação com 2024.

Apesar do número expressivo no trimestre, analistas destacam que o prejuízo foi fortemente impactado por efeitos contábeis extraordinários, que acabaram anulando a performance operacional robusta da empresa.

Entre os principais fatores que levaram ao resultado negativo estão a provisão de US$ 449 milhões relacionada a possíveis perdas no julgamento envolvendo a Samarco no Reino Unido e a baixa contábil (impairment) de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals (VBM), no Canadá.

Produção forte e Ebitda robusto

Mesmo com o prejuízo contábil, a Vale apresentou números operacionais considerados sólidos. A produção de minério de ferro cresceu 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a companhia atingiu os guidances de produção em 2025, superando metas tanto no minério de ferro quanto no cobre e no níquel.

O Ebitda ajustado — indicador que mede o desempenho operacional antes de efeitos financeiros e contábeis — também foi considerado robusto, impulsionado por maiores volumes vendidos e preços mais favoráveis de commodities.

Por outro lado, alguns pontos de atenção permanecem. O prejuízo líquido elevado pode gerar impacto negativo na percepção do mercado no curto prazo. Além disso, o lucro proforma, que exclui itens não recorrentes, ficou abaixo do consenso de mercado, reduzindo parte do otimismo.

Comprar ou vender VALE3?

As recomendações entre analistas divergem.

Phil Soares, da Options Research, avalia que o resultado foi melhor do que parece à primeira vista. Segundo ele, apesar do prejuízo contábil expressivo que compromete o número anual, a companhia entregou produção robusta, melhora nas vendas, controle de custos e Ebitda mais forte.

Para o analista, os fundamentos seguem sólidos e há espaço para recuperação das ações ao longo do pregão, com possibilidade de sustentação em níveis mais elevados.

Já Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest e da Krivo, considera os números consistentes, inclusive acima das expectativas em alguns pontos, mas pondera que o desempenho no curto prazo pode ser pressionado pela recente queda do minério de ferro. Ele destaca que cobre e níquel seguem mais fortes, o que pode gerar surpresas positivas na geração de caixa.

Com dívida confortável e preço-teto estimado em R$ 100, a recomendação é seletiva: quem não tem posição pode comprar de forma cautelosa; quem já possui ações deve manter. Caso o papel se aproxime dos R$ 100, a orientação é reduzir marginalmente para realização de lucros.

Na contramão, João Tonello, do Benndorf Research, adota postura mais conservadora. Apesar de reconhecer a performance operacional consistente, ele avalia que as baixas contábeis e o prejuízo bilionário deixam uma leitura fragilizada do balanço. A recomendação é ficar de fora no momento. Para investidores já posicionados, a orientação é trabalhar realizações estratégicas.

Diante do cenário, a decisão de comprar ou vender VALE3 dependerá do perfil do investidor, horizonte de investimento e tolerância à volatilidade no curto prazo.