O que está em jogo no leilão do Centro de Convenções? Entenda a briga

O que está em jogo no leilão do Centro de Convenções? Entenda a briga

24 de março de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Entenda por que a venda da área estratégica na orla de Salvador virou caso de impugnação e polêmica ambiental.

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução / Google Earth

Leilão do antigo Centro de Convenções gera polêmica por área de preservação e escolha de leiloeiro em Salvador.

O leilão do antigo Centro de Convenções da Bahia, agendado para esta quinta (26), tornou-se o centro de um intenso debate em Salvador. Localizado em uma área nobre entre o Stiep e a Armação, o imóvel de 287 mil m² possui valor mínimo de R$ 141,3 milhões. No entanto, associações de moradores e profissionais do setor jurídico levantam dúvidas sobre o processo.

A principal preocupação ambiental recai sobre a Área de Preservação Permanente (APP) presente no terreno do Centro de Convenções. Cerca de um terço da propriedade abriga dunas e ecossistemas sensíveis que, segundo críticos, não possuem garantias reais de recuperação no edital atual. O receio é que a falta de um plano detalhado comprometa a proteção contra a erosão costeira.

Em resposta, a Secretaria da Administração (Saeb) garantiu que a APP do Centro de Convenções não poderá ser alterada pelo futuro comprador. O órgão reforçou que o arrematante deverá seguir rigorosamente o Código Florestal e a legislação estadual. A fiscalização ficará sob responsabilidade do Inema e de órgãos municipais competentes para evitar danos à vegetação nativa.

Além do aspecto ecológico, a escolha do leiloeiro do Centro de Convenções também gerou controvérsia administrativa. Documentos revelam que o primeiro sorteado foi substituído por Rudival Almeida Gomes Junior após perder prazos regulamentares. Um grupo de profissionais tentou impugnar o certame, mas o pedido foi negado pela Saeb, que alegou cumprimento estrito das normas.

Para os moradores do entorno do Centro de Convenções, a venda representa um marco para o desenvolvimento urbano da orla. Contudo, a ausência de exigências prévias de licenciamento ambiental no edital é vista como um risco para o lençol freático da região. As entidades pedem maior transparência e compromissos firmados para a manutenção dos serviços ecossistêmicos.

O desfecho deste leilão do Centro de Convenções definirá o uso de um dos maiores terrenos disponíveis na capital baiana. O mercado imobiliário observa atentamente o potencial construtivo, enquanto grupos ambientalistas prometem monitorar cada etapa pós-arremate. A expectativa é que o evento desta semana atraia grandes investidores nacionais interessados na área.