
Associação Bahiana de Imprensa: entenda o conflito que ameaça a entidade
9 de abril de 2026Saiba por que o Edifício Ranulfo Oliveira virou o centro de uma disputa financeira que pode encerrar atividades históricas.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/Redes Sociais/ABI

A situação financeira da mais tradicional entidade de classe do jornalismo baiano atingiu um ponto crítico nesta quinta (09). Ernesto Marques, ex-presidente da instituição, utilizou as redes sociais para fazer um alerta dramático sobre a sobrevivência da entidade. Segundo ele, a Associação Bahiana de Imprensa corre o risco real de encerrar suas atividades em poucos meses caso não ocorra uma solução financeira imediata.
O centro do conflito reside no Edifício Ranulfo Oliveira, localizado no Centro Histórico de Salvador, que abriga parte da administração municipal. Marques afirma que o impasse contratual com a prefeitura está estrangulando as contas da casa. Nesta quinta (09), o ex-dirigente destacou que a aposta no diálogo administrativo não trouxe os avanços concretos necessários para honrar os compromissos básicos.
A atual diretoria, liderada por Suely Temporal, reconhece a gravidade do cenário, mas mantém uma postura mais cautelosa. Embora existam divergências sobre valores e cláusulas de ocupação do imóvel, a gestão atual negou publicamente a intenção de mover uma ação de despejo contra o município. O foco da diretoria nesta quinta (09) permanece na tentativa de um consenso sem a judicialização.

Entretanto, as consequências da falta de caixa já são visíveis para a sociedade baiana e para os profissionais da área. O Museu de Imprensa, importante acervo cultural do estado, está de portas fechadas desde o fim do ano passado. Além disso, a Biblioteca Jorge Calmon teve seus atendimentos interrompidos, simbolizando a paralisia de projetos fundamentais da Associação Bahiana de Imprensa.
Em sua declaração, Marques ressaltou que o tempo da “boa-fé” e do entendimento mútuo se esgotou diante da urgência financeira. Ele pontuou nesta quinta (09) que a instituição não terá condições de pagar salários e despesas elementares se a prefeitura continuar adiando uma resolução definitiva. A fala ecoou como um pedido de socorro entre os associados e comunicadores.
A entidade é o principal ativo para a preservação da memória do jornalismo na Bahia, exercendo papel histórico na defesa da liberdade de expressão. O enfraquecimento da Associação Bahiana de Imprensa preocupa intelectuais e historiadores que dependem dos arquivos da biblioteca. A crise coloca em risco décadas de documentos e registros únicos da história política e social baiana.
Mesmo com a pressão pública gerada pelo vídeo de Ernesto Marques nesta quinta (09), o diálogo oficial entre as partes ainda não produziu um novo cronograma de pagamentos. A prefeitura ocupa o prédio há anos, sendo o aluguel a principal fonte de receita para manter a estrutura da ABI. Sem esse fluxo regular e corrigido, a manutenção do edifício sede torna-se inviável.
O desfecho desta crise financeira é aguardado com apreensão por toda a categoria profissional no estado. A esperança é que um acordo de última hora preserve a integridade da Associação Bahiana de Imprensa e permita a reabertura de seus espaços culturais. O silêncio das autoridades municipais sobre os novos prazos de negociação aumenta a incerteza nesta quinta (09).



