Código de ética de Edson Fachin e reforma de Flávio Dino instalam guerra fria no STF

Código de ética de Edson Fachin e reforma de Flávio Dino instalam guerra fria no STF

22 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Presidente da Corte busca implementar normas de conduta até o fim do ano mas encontra barreiras entre colegas e falta de apoio integral

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Antonio Augusto/STF

Edson Fachin encontra resistência no STF para aprovar código de ética. Conheça os detalhes da disputa com o ministro Flávio Dino.
O presidente do STF, Edson Fachin, vê dificuldade em aprovar um código de ética para o STF – Foto: Wiilton Júnior

O ministro Edson Fachin vive um momento de isolamento político e técnico na tentativa de implementar um novo código de ética no Supremo Tribunal Federal. O magistrado insiste em colocar o plano em prática até o encerramento do calendário jurídico deste ano, mas enfrenta barreiras significativas até mesmo entre seus interlocutores mais próximos. A Corte encontra-se fragmentada entre o apoio parcial e a rejeição total ao texto sugerido. A análise é da jornalista Carolina Brígido, colunista do Estadão.

Atualmente, apenas a ministra Cármen Lúcia subscreve integralmente as sugestões apresentadas por Edson Fachin para moralizar as condutas individuais dos membros do tribunal. O cenário de governabilidade interna ficou ainda mais complexo após o ministro Flávio Dino apresentar uma proposta alternativa de reforma do Judiciário. O texto de Dino é visto nos bastidores como uma estocada direta ao presidente, mencionando discursos considerados superficiais.

A guerra fria instalada no tribunal revela divergências profundas sobre o que deve ser prioridade na transparência pública. Enquanto Edson Fachin foca nos limites às condutas individuais e na divulgação de agendas, Dino prefere listar regras de combate à corrupção sistêmica. Ministros como Kassio Nunes Marques demonstram receio quanto ao impacto que a exposição prévia de compromissos pode causar na segurança pessoal dos magistrados.

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Outro ponto sensível que dificulta a gestão de Edson Fachin envolve a transparência nos contratos de familiares de ministros que atuam na advocacia. Magistrados como Luiz Fux e Nunes Marques possuem parentes nessa situação, o que torna pouco provável a adesão irrestrita aos termos sugeridos. A divulgação de rendimentos complementares, oriundos de palestras e aluguéis, também surge como um entrave para a aprovação da maioria.

Nos bastidores, o presidente da Corte trabalha com a expectativa de obter o sexto voto necessário através de Jorge Messias, caso sua indicação seja aprovada pelo Senado nesta quarta (22). Contudo, a resistência da ala contrária parece inabalável, com críticas reservadas à suposta falta de abertura de Edson Fachin para acolher sugestões dos colegas. O grupo dissidente promete não ceder mesmo que o texto original seja consideravelmente desidratado.

A análise política atual indica que a reforma proposta por Flávio Dino possui mais chances de avançar do que o rigoroso código de ética da presidência. O impasse reflete a dificuldade de unificar discursos em um colegiado tão heterogêneo e cioso de suas prerrogativas individuais. Sem uma articulação mais flexível, o projeto que é a principal bandeira de Fachin pode enfrentar uma derrota histórica antes do recesso judiciário.