Cármen Lúcia manifesta voto contrário a mudanças nas regras de inelegibilidade de políticos

Cármen Lúcia manifesta voto contrário a mudanças nas regras de inelegibilidade de políticos

22 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Relatora no Supremo Tribunal Federal aponta retrocesso institucional em alterações aprovadas pelo Congresso

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cármen Lúcia vota no STF para derrubar a flexibilização da Lei da Ficha Limpa nesta sexta-feira (22). Julgamento virtual vai até dia 29. Veja.

A ministra Cármen Lúcia, integrante do Supremo Tribunal Federal, proferiu seu posicionamento institucional de forma contrária à flexibilização promovida pelo Congresso Nacional nas regras de restrição de candidaturas na manhã de sexta-feira (22). A magistrada atua como relatora de uma importante ação que contesta a reconfiguração temporal da lei da ficha limpa.

O início do julgamento ocorreu por meio de ambiente digital, permitindo que os demais integrantes da corte superior registrem suas manifestações formais até o limite de vinte e nove de maio. Na avaliação técnica manifestada pela relatora, o afrouxamento das regras vigentes representa um nítido cenário de retrocesso em relação aos princípios republicanos.

O posicionamento adotado reafirma o entendimento de que o Poder Judiciário deve atuar firmemente para afastar atos que possam prejudicar a probidade na gestão pública. O questionamento foi levado ao tribunal por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada por uma legenda partidária assim que o novo regramento foi chancelado no país.

A deliberação definitiva do colegiado de ministros é aguardada com extrema ansiedade por lideranças partidárias de diferentes espectros institucionais, pois deve produzir efeitos práticos imediatos no pleito de outubro. A manutenção do entendimento da relatora pode inviabilizar os planos eleitorais de antigas figuras públicas conhecidas de estados como o Rio de Janeiro.

As modificações promovidas no ano anterior visavam encurtar o tempo total de afastamento de políticos que sofreram sanções por órgãos colegiados. No modelo anterior, o período de impedimento de oito anos passava a contar somente após o término do cumprimento integral da sanção prisional, acumulando períodos extensos de exclusão do ambiente das urnas.

O texto reformulado estabelece que a contagem do impedimento inicie imediatamente na data da condenação, limitando o teto de afastamento ao máximo de doze anos em situações de punições recorrentes. Cármen Lúcia manifestou entendimento pela total invalidade dessas alterações específicas, considerando-as incompatíveis com as diretrizes da lei da ficha limpa.