Marcha da Maconha ocupa a Avenida Paulista neste domingo e pede legalização da erva

Marcha da Maconha ocupa a Avenida Paulista neste domingo e pede legalização da erva

21 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Manifestantes se reúnem em frente ao Masp para questionar o modelo atual da guerra às drogas

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O debate em torno da revisão das políticas de segurança e saúde pública divide opiniões nas principais capitais do mundo, mobilizando ativistas, juristas e parlamentares. A discussão sobre a regulamentação do cultivo, comercialização e consumo de substâncias psicotrópicas ganhou relevância nas últimas décadas, impulsionada por experiências internacionais de legalização e pelo crescimento do mercado de medicamentos derivados da planta. Em grandes centros urbanos, a manifestação cultural e política serve como termômetro para medir o engajamento da sociedade civil organizada na cobrança por reformas estruturais em vias públicas de grande circulação, como a Avenida Paulista.

Na tarde deste domingo, 21 de junho de 2026, o coração financeiro de São Paulo transformou-se no palco de uma grande mobilização social. Manifestantes de diversas faixas etárias e movimentos populares compareceram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), ocupando as faixas de rolamento da Avenida Paulista para a realização da tradicional Marcha da Maconha. O evento, que defende de forma aberta a legalização e a regulamentação do mercado de cannabis no território brasileiro, coloriu o asfalto com bandeiras, cartazes informativos e roupas com adereços temáticos voltados para a causa.

Luta contra o encarceramento em massa e foco em saúde pública

A manifestação chega à sua 18ª edição na capital paulista consolidada como um instrumento de contestação às diretrizes tradicionais de combate ao tráfico de entorpecentes. Em manifestos distribuídos pelos organizadores durante a concentração no Masp, o movimento ressaltou que o atual modelo proibicionista gera impactos sociais profundos, atuando como um vetor para a violência e contribuindo diretamente para o encarceramento em massa, afetando de forma desproporcional a população jovem, negra e moradora de bairros periféricos. A proposta defendida na Avenida Paulista busca transferir o tratamento do tema da esfera criminal para a área da saúde e assistência social.

Além do aspecto econômico e recreativo, a caminhada deste ano reforçou bandeiras com caráter antirracista e antifascista. Os eixos temáticos do protesto cobraram um modelo de transição legal que preveja mecanismos práticos de reparação racial, igualdade de gênero nos postos de trabalho da nova cadeia produtiva e facilitação burocrática para o acesso a terapias medicinais e óleos fitoterápicos à base de canabinoides no Sistema Único de Saúde (SUS), pautas amplamente debatidas ao longo da Avenida Paulista.

“A política atual de repressão cobra um preço altíssimo das comunidades mais vulneráveis. Defendemos uma regulamentação popular que traga justiça social, saúde e direitos territoriais para quem sempre foi penalizado”, declararam os coordenadores da mobilização na Avenida Paulista.

Caminhada pacífica, comemoração política e monitoramento

Após o período inicial de concentração e discursos em frente ao museu, os manifestantes iniciaram o deslocamento em caminhada pelas pistas da via, acompanhados por carros de som e apresentações de grupos musicais. A marcha contou com a presença de lideranças políticas históricas de São Paulo, com destaque para o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT). O parlamentar aproveitou o engajamento do ato público para celebrar de forma simbólica o seu aniversário de 85 anos junto aos apoiadores, reforçando sua trajetória histórica de defesa das pautas voltadas para a redução de danos e direitos humanos na Avenida Paulista.

O andamento de todo o trajeto foi acompanhado de perto por contingentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que montaram um esquema especial de patrulhamento e orientação do fluxo de trânsito nas transversais da região central. Segundo balanço oficial divulgado pelo comando da corporação no início da noite, a manifestação popular transcorreu de forma pacífica e ordeira, sem o registro de brigas, depredações ou intercorrências graves. O encerramento do ato abriu espaço para o restabelecimento total da circulação de veículos e pedestres na Avenida Paulista.