Thomas Partey é vaiado na Copa do Mundo e ignorado por lateral da Inglaterra no protocolo

Thomas Partey é vaiado na Copa do Mundo e ignorado por lateral da Inglaterra no protocolo

23 de junho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Volante de Gana encara defensor Djed Spence após recusa de aperto de mão no gramado em Boston

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: REUTERS/Peter Cziborra

A reverberação de litígios criminais de alta gravidade no cenário do esporte profissional frequentemente transcende as esferas jurídicas, impactando diretamente a diplomacia esportiva e os protocolos formais de grandes competições internacionais. Quando um atleta de elite responde a processos por crimes de violência de gênero, sua presença institucional passa a ser questionada por comitês organizadores, torcidas e até mesmo por companheiros de profissão. Essa tensão ética manifesta-se em atos de protesto simbólico e em decisões governamentais restritivas de fronteira, transformando os gramados em plataformas de posicionamento social e evidenciando a indissociabilidade entre a conduta privada e a carreira pública.

Nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, as ladeiras informativas da cobertura do Mundial nos Estados Unidos foram tomadas por um episódio de forte atrito institucional no estádio de Boston. Durante o protocolo oficial de saudações da Fifa que antecedeu a partida entre Inglaterra e Gana, o meio-campista ganês Thomas Partey figurou como o epicentro de uma situação desconfortável. O lateral-direito do Tottenham, Djed Spence, recusou-se publicamente a apertar a mão do volante adversário, recolhendo os braços e aguardando o próximo atleta da fila para dar sequência ao cumprimento regulamentar.

Reação em campo, silêncio da TV e omissão de diretrizes da FA

Embora as câmeras da transmissão televisiva oficial tenham evitado focar o desentendimento, jornalistas presentes na tribuna de imprensa registraram o ocorrido em dispositivos móveis e divulgaram as imagens nas redes sociais. Ao notar a recusa deliberada de Spence, Thomas Partey sustentou um olhar fixo e agressivo em direção ao defensor inglês antes de seguir com a caminhada pelo gramado. O comportamento hostil com o volante estendeu-se para além das quatro linhas, convertendo-se em uma sonora vaia vinda de diversos setores da arquibancada norte-americana todas as vezes em que o jogador tocava na bola.

A possibilidade de um boicote no aperto de mão vinha sendo amplamente debatida pela mídia britânica nos dias que antecederam o confronto do Grupo L. De acordo com informações publicadas pelo periódico inglês The Telegraph, a Federação Inglesa de Futebol (FA) optou por adotar uma postura de neutralidade institucional, optando por não emitir nenhuma cartilha ou recomendação específica aos atletas sobre como proceder diante do adversário. Diante da ausência de ordens superiores, Spence tomou a iniciativa individual de realizar o protesto silencioso em Boston.

“A transmissão oficial não exibiu o momento do protocolo, mas os registros dos repórteres de campo confirmaram que o defensor inglês se esquivou do cumprimento tradicional”, detalhou a análise de bastidores sobre a conduta com Thomas Partey.

O histórico das acusações criminais e o veto em solo canadense

A forte rejeição enfrentada pelo atleta está diretamente atrelada ao denso histórico de processos judiciais que ele responde no Reino Unido. O jogador de Gana acumula cinco acusações formais por crimes de estupro e agressão sexual, impetradas por duas mulheres por episódios supostamente ocorridos entre os anos de 2021 e 2022, época em que o volante defendia o Arsenal. No ano passado, uma terceira denúncia de abuso foi adicionada aos autos, resultando em uma ordem judicial restritiva que impede o meio-campista de manter qualquer modalidade de contato com a suposta vítima. No início de 2026, mais duas denúncias de teor semelhante foram oficializadas por outras mulheres perante a corte inglesa.

A defesa técnica de Thomas Partey sustenta de forma categórica a sua inocência, declarando perante os tribunais que o atleta colaborou com as investigações policiais e continua a refutar todos os apontamentos, cujo julgamento definitivo está previsto para ocorrer apenas em janeiro de 2027. O jogador chegou a ser detido pelas autoridades em 2025, obtendo a liberdade condicional mediante o pagamento de uma expressiva fiança e sob o compromisso de reportar qualquer deslocamento internacional. O imbróglio jurídico custou a ausência do volante na estreia de Gana contra o Panamá, uma vez que o governo do Canadá — subsede do torneio que abrigou a primeira rodada — negou o visto de entrada do esportista com base em seus antecedentes criminais em andamento.