Deputados do país vizinho afirmam que fala do presidente brasileiro minimiza o impacto do conflito
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert
A Câmara dos Deputados, integrante do congresso do Paraguai, aprovou e divulgou nesta quarta-feira (29) uma declaração oficial de repúdio contra falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. De acordo com o documento aprovado pelos parlamentares, as afirmações do mandatário brasileiro “distorcem e minimizam” a dimensão histórica e o sofrimento gerado pelo combate.
O estopim para a reação do congresso do Paraguai foi um discurso proferido por Lula no dia 24 de julho, em Jacareí (SP). Na ocasião, ao defender o fortalecimento de investimentos no setor de defesa nacional, o presidente fez menção ao início do confronto ocorrido no século XIX.
“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, declarou Lula.
A posição do congresso do Paraguai e o contexto histórico
A manifestação do congresso do Paraguai aponta que atribuições simplificadas de culpa geraram forte rejeição em diversos setores da sociedade paraguaia. Em nota, a Câmara afirmou que a declaração “desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito” e ignora as graves consequências humanas e demográficas deixadas no país vizinho.
A Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870) é considerada o maior conflito armado da história da América do Sul. O estopim ocorreu após a intervenção militar brasileira no Uruguai em 1864, levando o então líder paraguaio Francisco Solano López a declarar guerra ao Brasil. Em seguida, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a aliança para combater as forças paraguaias. Ao término do combate, o Paraguai perdeu parcelas de seu território, teve sua infraestrutura destruída e sofreu uma severa crise populacional.
Apelo à responsabilidade e reconciliação
Em trecho da nota oficial, o congresso do Paraguai exorta as lideranças brasileiras a tratarem os episódios históricos do passado com mais critério e sensibilidade no cenário de 2026.
“A Câmara insta que os acontecimentos históricos que marcaram profundamente os nossos povos sejam abordados com sensibilidade, respeito e responsabilidade, e com um espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional contemporâneo”, destacou o órgão parlamentar.
Até o momento do fechamento desta reportagem, o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não haviam se pronunciado oficialmente sobre a nota aprovada em Assunção.