Juristas e oposição criticam decreto do governo da argentina que proíbe ‘mensagens de ódio’

Juristas e oposição criticam decreto do governo da argentina que proíbe ‘mensagens de ódio’

30 de julho de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Medida assinada por Javier Milei permite expulsar estrangeiros, mas especialistas apontam inconstitucionalidade

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Mariana Nedelcu / Reuters

O Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) assinado pelo presidente Javier Milei e publicado pelo governo da argentina virou alvo de duras críticas da oposição e de juristas no país vizinho. A medida, apresentada após a recente escalada de tensões diplomáticas com o Brasil, endurece as regras migratórias e autoriza a proibição de entrada ou a expulsão de estrangeiros que profiram “mensagens de ódio”, discriminação ou ofensas contra o povo e os símbolos argentinos.

Especialistas ouvidos pelo jornal Clarín apontaram inconstitucionalidade no instrumento utilizado pela Casa Rosada, destacando que não existem circunstâncias excepcionais que justificassem ignorar o Congresso do país.

“Se todos os países fizessem isso, Milei não conseguiria entrar em vários deles. Pelo menos oito me vêm à mente: Brasil, Chile, México, Vaticano, Espanha, Colômbia, China e Venezuela”, afirmou Florencia Carignano, deputada e ex-diretora nacional de Migrações.

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Regras impostas pelo governo da argentina

Segundo o comunicado oficial emitido pela Presidência, as novas diretrizes do governo da argentina tratam a proteção dos símbolos nacionais e dos cidadãos locais como algo “inegociável”. Entre os pontos do DNU estão o impedimento de ingresso e o cancelamento de permanência para estrangeiros que:

  • Promovam ou divulguem mensagens de ódio e discriminação contra argentinos;
  • Estimulem ou defendam atos de violência motivados pela nacionalidade;
  • Pratiquem condutas consideradas ofensivas aos símbolos pátrios.

Escalada da crise diplomática com o Brasil

A decisão do governo da argentina ocorre em sequência a um grave ruído diplomático. Durante passagem por São Paulo no último sábado (25), Milei proferiu ofensas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Em resposta aos ataques, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou a atitude como um episódio “sem precedentes e lamentável” no ambiente diplomático. O chanceler brasileiro Mauro Vieira qualificou as falas como “grosseiras e inaceitáveis”. Como sinal explícito de descontentamento, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, foi chamado a Brasília e permanecerá no país por tempo indeterminado acompanhando o desdobramento das negociações.