Gato-selvagem que ameaçava aves raras é capturado e abatido na Nova Zelândia após três anos

Gato-selvagem que ameaçava aves raras é capturado e abatido na Nova Zelândia após três anos

7 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Conhecido como Nine Lives, o felino dizimou 1% da população de marreca-parda e escapou de dezenas de armadilhas

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto:  Divulgação/Redes sociais

Um único gato-selvagem foi responsável por mobilizar equipes de conservação e causar um impacto devastador na biodiversidade da península de Purerua, no extremo norte da Ilha Norte da Nova Zelândia. Apelidado de “Nine Lives” (“Nove Vidas”), o felino de pelagem tigrada cinza conseguiu evitar armadilhas e câmeras de monitoramento por mais de três anos. O animal era apontado como a principal ameaça ao pāteke, ou marreca-parda, o pato continental mais raro do país.

Estimativas de ambientalistas do projeto Pest Free Purerua indicam que o felino matou dezenas de exemplares da marreca-parda no período em que viveu na região. O estrago provocado pelo animal representou a perda de aproximadamente 1% de toda a população restante da espécie na Nova Zelândia. Além disso, pesquisadores apontam que o predador também caçava filhotes da ave nacional kiwi, lagartos nativos e outros pequenos animais vulneráveis.

Táticas incomuns e a captura do felino

A reputação do gato-selvagem cresceu devido ao seu comportamento imprevisível, o que tornava qualquer tentativa de rastreamento extremamente complexa. De acordo com os relatos das equipes de campo, o animal não seguia rotas ou horários fixos: aparecia esporadicamente ao entardecer, de madrugada ou em pleno dia, para logo em seguida desaparecer por até três meses sem deixar vestígios.

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O cerco final começou no encerramento de julho, quando câmeras térmicas e de monitoramento flagraram a presença do felino em uma pedreira por três noites consecutivas. Os conservacionistas usaram iscas variadas — como salmão, frango frito e carne de coelho — alocadas em gaiolas estratégicas. No dia 30 de julho, o sensor de uma das armadilhas enviou um alerta em tempo real para o celular de um dos pesquisadores, confirmando que o animal havia entrado na estrutura. Agentes foram ao local e realizaram o abate do felino de forma humanitária.

Impacto educacional e exames do predador

Com a captura concluída, o corpo do felino passará por uma bateria de análises laboratoriais para verificar o conteúdo estomacal e estabelecer com precisão o cardápio que sustentou o predador nos últimos anos. Essas informações ajudarão a mapear com mais clareza os danos causados por felinos que vivem isolados em áreas de preservação ambiental.

Após a fase de exames científicos, a carcaça do animal será empalhada e utilizada como peça didática. O objetivo do projeto é transformar o caso do felino em uma ferramenta de conscientização pública sobre a fragilidade dos ecossistemas locais diante da introdução e proliferação de predadores continentais.

O debate sobre gatos ferais e a biodiversidade neozelandesa

O abate de Nine Lives reacendeu um debate acalorado sobre os limites e métodos de manejo da fauna. Enquanto ambientalistas e defensores da conservação comemoraram o desfecho como uma vitória vital para a sobrevivência de espécies nativas que evoluíram sem predadores naturais, o caso também gerou reações contrárias e lamentações por parte de usuários nas redes sociais.

A Nova Zelândia possui uma das maiores proporções de tutores de gatos domésticos do mundo, mas abriga simultaneamente milhões de felinos em estado feral. Sem acesso a alimento fornecido por humanos, esses animais caçam ativamente espécies vulneráveis. Por conta desse cenário, o governo neozelandês incluiu oficialmente os felinos selvagens na iniciativa Predator Free 2050, um plano nacional que busca erradicar espécies invasoras para garantir o futuro da biodiversidade original do país.