Sérvia: seca do Danúbio traz à superfície navios da frota nazi de Hitler

Sérvia: seca do Danúbio traz à superfície navios da frota nazi de Hitler

9 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Níveis historicamente baixos do rio expõem dezenas de embarcações de guerra afundadas com explosivos na Segunda Guerra

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: AP Photo

A intensa estiagem que atinge diversos países do continente europeu provocou uma queda histórica no fluxo de água de um dos rios mais importantes do mundo. Na Sérvia, a seca do Danúbio trouxe à superfície dezenas de navios de guerra pertencentes à frota da Alemanha Nazista de Adolf Hitler. As carcaças, que costumam permanecer totalmente submersas na fronteira entre a Sérvia e a Romênia, surgiram sobre bancos de areia e no próprio leito do rio.

Estima-se que cerca de 200 embarcações tenham sido deliberadamente afundadas pelo próprio exército alemão em setembro de 1944, cerca de oito meses antes da rendição oficial na Segunda Guerra Mundial. A estratégia nazista buscava criar uma barreira física no rio para desacelerar o avanço das tropas da União Soviética. Muitas dessas embarcações ainda contêm uma quantidade considerável de explosivos e munições ativas em seu interior, o que inviabiliza e dificulta operações de remoção por parte do governo sérvio.

Outras descobertas históricas trazidas pelo recuo das águas

Os efeitos provocados pela seca do Danúbio não se limitam ao trecho fronteiriço sérvio-romeno. Ao longo dos mais de 2.800 quilômetros de extensão do rio, o recuo do volume aquático revelou achados de diferentes épocas da história humana e geológica da região. Na Bulgária, próximo à cidade de Ryahovo, a retração do caudal expôs restos fósseis do que especialistas identificaram como um mamute-lanoso.

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Na Hungria, diversos pontos do rio registraram o surgimento de vestígios militares. Perto da capital Budapeste, uma motocicleta da Wehrmacht foi localizada preservada na lama, ao lado de projéteis de artilharia, granadas e minas anticarro alemãs do tipo Teller. Em locais como Mohács e no braço do rio em Baja, embarcações naufragadas surgiram em meio a leitos que chegaram a secar ao ponto de permitir a travessia a pé.

Consequências energéticas, econômicas e ambientais na Europa

Além dos desdobramentos históricos, a seca do Danúbio impõe sérios desafios à infraestrutura dos países banhados por suas águas. Na Hungria, a queda drástica do volume hídrico colocou em risco o funcionamento do sistema de refrigeração da central nuclear de Paks, que roçou os níveis mínimos operacionais exigidos por segurança antes de apresentar ligeira recuperação.

Na Romênia, a falta de profundidade do leito paralisou serviços de ferries, deixou barcaças de transporte comercial encalhadas e comprometeu os sistemas de irrigação agrícola em um período de severa estiagem rural. Já na Sérvia, a redução da vazão reduziu a capacidade de geração de energia hidroelétrica, ao mesmo tempo em que a população local passou a ocupar os bancos de areia expostos como praias temporárias.