Análises do Mapa revelam irregularidades na classificação de azeites no Brasil

Análises do Mapa revelam irregularidades na classificação de azeites no Brasil

12 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Exames apontam que marcas vendidas como extravirgem não cumprem os requisitos de qualidade

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação

Uma investigação conduzida no âmbito de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo trouxe novos desdobramentos sobre a qualidade dos azeites comercializados no Brasil. Atendendo a uma ordem judicial, o laboratório de análises sensoriais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) examinou diversos lotes vendidos nos supermercados como extravirgem. Segundo os laudos iniciais da perícia, produtos de marcas consolidadas no mercado apresentaram classificação inferior à estampada nos rótulos, sendo enquadrados apenas como virgens ou até mesmo como lampantes.

A atuação do MPF contra o Mapa e a Anvisa busca intensificar as fiscalizações sobre a importação e o envasamento de azeites no país. A Procuradoria ressaltou que a comercialização de óleo lampante — produto não refinado e considerado impróprio para o consumo humano direto — representa um risco concreto à saúde pública. A presença desses lotes nas prateleiras e em plataformas digitais evidencia falhas no controle de rotulagem e na segurança alimentar oferecida aos consumidores brasileiros.

Reação do setor produtivo e posicionamento do Ibraoliva

Os resultados preliminares das análises sensoriais sobre os azeites reacenderam o debate sobre a competitividade e a procedência dos óleos importados. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), entidade que representa os produtores nacionais, afirmou que os laudos confirmam denúncias antigas da categoria. De acordo com a associação, produtos antigos e com defeitos sensoriais, frequentemente descartados no mercado europeu, são envasados e vendidos no Brasil como se fossem de categoria superior.

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Para a entidade, a presença desses azeites de baixa qualidade no mercado explica a grande disparidade de preços em relação ao produto extravirgem superpremium produzido no Brasil. O setor defende que as autoridades ampliem as exigências de fiscalização nas fronteiras e nos pontos de venda, garantindo que a classificação informada na embalagem corresponda com exatidão às características químicas e sensoriais do produto entregue ao consumidor final.

Esclarecimento oficial do Mapa e garantias legais

Diante da repercussão dos dados, o Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou um comunicado oficial para esclarecer que os laudos divulgados possuem caráter preliminar e não conclusivo. A pasta ressaltou que o processo segue trâmites regulamentares rigorosos e que as empresas responsáveis pelos azeites analisados possuem o direito legal de solicitar perícias de contraprova para contestar os exames sensoriais realizados pelo laboratório oficial.

O Mapa informou ainda que não fez a divulgação oficial de nomes de marcas ou lotes específicos justamente para respeitar o devido processo legal e a validação técnica administrativa. O ministério frisou que os dados até então apurados dizem respeito ao cumprimento de padrões de identidade e qualidade, não representando, por si só, risco iminente à saúde. A pasta reafirmou seu compromisso com a transparência e garantiu que adotará medidas cautelares ou de recolhimento imediatamente caso qualquer perigo real aos consumidores seja confirmado após a conclusão das etapas legais.