Filipe Martins tem documento migratório classificado como falso por juiz dos EUA

Filipe Martins tem documento migratório classificado como falso por juiz dos EUA

21 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio Magazine

Magistrado da Flórida determina investigação sobre a criação de registro usado para fundamentar prisão de ex-assessor no Brasil

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Reprodução/Facebook/Filipe Martins

O caso envolvendo Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência no governo Jair Bolsonaro, ganhou novos desdobramentos com a divulgação de documentos da Justiça Federal da Flórida, nos Estados Unidos. O juiz federal Gregory Presnell tratou como um “registro falso” o documento de entrada no sistema migratório americano que apontava a ida do ex-assessor ao país no final de 2022. A declaração ocorreu durante audiência de uma ação movida com base na lei americana de acesso à informação.

O magistrado foi além da classificação adotada anteriormente pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, que havia denominado o dado como um “registro errôneo”. Na condução do processo, Presnell cobrou do governo norte-americano relatórios e comunicações internas para descobrir a origem exata do dado e identificar as pessoas envolvidas em sua criação no sistema oficial. A defesa de Filipe Martins busca esclarecer como a informação foi gerada, uma vez que o ex-assessor sustentou ter permanecido no Brasil.

O impacto da informação no processo no Brasil

O histórico de viagem atribuído a Filipe Martins indicava uma suposta entrada nos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, data em que o ex-presidente Jair Bolsonaro viajou para a Flórida. Essa informação integrou os elementos avaliados pelas autoridades brasileiras quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do ex-assessor sob a justificativa de risco de fuga.

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A permanência de Filipe Martins em prisão preventiva estendeu-se por quase seis meses. Em apuração posterior concluída pela própria autoridade de fronteira dos Estados Unidos, o órgão oficial determinou que a entrada do ex-assessor naquela data não ocorreu, removendo a informação de seus bancos de dados. Atualmente, o ex-integrante do governo está detido em uma unidade prisional em Ponta Grossa, no Paraná, após ser condenado no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado.

Questões em aberto na Justiça da Flórida

A divulgação da transcrição da audiência adiciona uma nova dimensão ao contencioso judicial instaurado nos Estados Unidos. O tribunal da Flórida determinou que materiais e comunicações internas do governo norte-americano sejam submetidos à análise reservada para averiguar as circunstâncias em que o dado foi registrado no sistema público.

Até o momento, a ação em curso na Flórida não emitiu uma decisão pública identificando a autoria da inserção do dado nem atribuindo responsabilidades formais. A questão central do processo movido por Filipe Martins permanece em fase de instrução para determinar de que forma o registro inconsistente ingressou na base de dados governamental.