CNJ suspende concurso do TJ/CE por suspeita de uso irregular de IA

CNJ suspende concurso do TJ/CE por suspeita de uso irregular de IA

15 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Conselho Nacional de Justiça cobra explicações detalhadas sobre os critérios de notas em provas discursivas de magistratura

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Zenildo Trajano/CNJ

O CNJ barrou o certame do TJ/CE por suspeita de robôs na correção de redações. O tribunal tem 15 dias para responder.

O plenário do Conselho Nacional de Justiça suspendeu o concurso do TJ/CE por suspeita do uso inadequado de inteligência artificial na correção de avaliações discursivas, em sessão realizada na terça (12). A determinação do colegiado ocorreu de maneira unânime, ratificando a liminar expedida anteriormente. A corte estadual cearense possui quinze dias de prazo regulamentar para prestar os devidos esclarecimentos.

O procedimento de controle administrativo foi provocado originalmente por uma participante inscrita no certame para o cargo de juiz substituto. A concorrente alegou a completa falta de transparência nos parâmetros de pontuação utilizados pela banca examinadora em sua folha de respostas. O questionamento ganhou força após outros candidatos apresentarem reclamações idênticas na internet.

A apuração do órgão corregedor constatou indícios contundentes que colocam em dúvida a lisura do processo de avaliação de desempenho. A conselheira relatora Daiane Lira apontou uma quantidade elevada de notas rigorosamente iguais e a ausência total de escalonamento estatístico nos resultados divulgados. A redação padronizada do espelho de correção também chamou a atenção da equipe.

A regulamentação interna do conselho determina que a aplicação de mecanismos tecnológicos automatizados no âmbito do Poder Judiciário exige obrigatoriamente a governança responsável e supervisão de pessoas. Permitir o andamento regular de um processo seletivo sob forte desconfiança técnica feriria gravemente o interesse público e a isonomia.

Os autos do processo administrativo foram encaminhados diretamente para o comitê gestor de tecnologia da informação do órgão nacional para uma auditoria aprofundada. Os técnicos realizarão testes minuciosos nas ferramentas virtuais empregadas pela organizadora do certame. O andamento da seleção de magistrados permanece totalmente interrompido nos canais digitais.