El Niño 2026: fenômeno é iminente e deve trazer impactos nas próximas semanas

El Niño 2026: fenômeno é iminente e deve trazer impactos nas próximas semanas

13 de maio de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Dados da NOAA e MetSul indicam aquecimento recorde no Pacífico e transição atmosférica acelerada para o outono

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/Nasa

Começo do El Niño é iminente em 2026. Saiba como o fenômeno afetará o clima no Brasil, com riscos de enchentes no Sul e seca no Norte nas próximas semanas.

A instalação de um novo episódio de El Niño é considerada iminente, com previsão de início oficial entre a segunda quinzena de maio e meados de junho. De acordo com a MetSul Meteorologia e a NOAA, agência de clima dos Estados Unidos, os indicadores oceânicos já apresentam anomalias de temperatura superiores a 0,5ºC há quatro semanas consecutivas. Dados recentes indicam que águas extremamente quentes, com até 9ºC acima da média em profundidade, estão emergindo, o que deve consolidar o fenômeno rapidamente.

Uma mudança fundamental este ano ocorre no monitoramento da NOAA, que substituiu o antigo índice ONI pelo RONI (Relative Oceanic Niño Index). Esta alteração é necessária devido ao aquecimento global progressivo dos oceanos, que poderia mascarar os sinais reais do fenômeno. O novo método compara a temperatura do Pacífico Equatorial com o restante dos oceanos tropicais, permitindo identificar se o aquecimento é uma variação natural do El Niño ou apenas o reflexo do aumento da temperatura média global.

As projeções climáticas para o segundo semestre de 2026 são alarmantes. O modelo europeu ECMWF sugere a possibilidade de um “Super El Niño”, com anomalias que podem atingir +3,2°C. Se confirmado, este evento rivalizaria com os grandes episódios históricos de 1997 e 2015, sendo um dos três mais intensos registrados nos últimos 150 anos. O pico de força deve ocorrer entre outubro e dezembro, afetando drasticamente o regime de chuvas e temperaturas em todo o planeta.

No Brasil, os impactos do El Niño devem começar a ser sentidos de forma moderada ainda no outono, ganhando intensidade no inverno e primavera. No Sul, o risco é de chuvas volumosas e enchentes, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina a partir de setembro. Já no Norte e Nordeste, o fenômeno costuma trazer secas severas e redução nas precipitações, agravando o risco de queimadas na Amazônia e prejudicando a agricultura e o abastecimento de água nessas regiões.

No Sudeste e Centro-Oeste, o El Niño tende a elevar as temperaturas médias, provocando episódios de calor extremo, especialmente no final do inverno e durante a primavera. No Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, o fim deste outono já pode registrar chuvas acima da média com risco de inundações localizadas. O acoplamento entre o oceano e a atmosfera, medido por índices como o de Oscilação Sul (SOI), confirma que o sistema climático global já está em transição para a fase quente.

Historicamente, o El Niño (nomeado por pescadores peruanos em referência ao “Menino Jesus” devido à sua ocorrência próxima ao Natal) traz consequências econômicas profundas. Embora possa beneficiar algumas safras no Sul devido à umidade, os danos causados por tempestades severas e secas no Nordeste frequentemente elevam os preços dos alimentos e impactam a oferta de energia. O monitoramento contínuo nas próximas semanas será vital para o planejamento de defesa civil e setores produtivos em todo o país.