
Investigação da PF aponta suspeita de desvio de R$ 1,7 milhão em contrato emergencial da merenda escolar de Ilhéus
21 de maio de 2026Investigados podem responder por contratação direta ilegal, fraude em licitação, associação criminosa e corrupção ativa e passiva.
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: PF

O combate a crimes contra a administração pública ganhou um novo capítulo no estado da Bahia. Na manhã desta quinta-feira (21), a Polícia Federal desencadeou uma ação com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção encastelado no setor de suprimentos de educação. O foco da fiscalização está concentrado sobre uma prestação de serviços de caráter urgente voltada ao abastecimento de redes de ensino municipais, cujos indícios apontam favorecimento corporativo e uso indevido de verbas governamentais.
A investida, denominada formalmente de Operação Merenda Digna, foi estruturada de forma conjunta com a controladoria geral da união. O esforço operacional mobilizou equipes de agentes para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão. Os alvos das vistorias incluíram repartições governamentais, sedes de companhias privadas e endereços residenciais pertencentes a servidores públicos e lideranças do setor empresarial. As buscas ocorreram de forma simultânea nas cidades de Ilhéus, Itagimirim, Camaçari e Lauro de Freitas.
O ponto de partida das apurações ocorreu ainda no decorrer do ano de 2025. Técnicos da controladoria geral da união e agentes federais identificaram indícios robustos de direcionamento em um contrato emergencial avaliado em R$ 15,5 milhões para o fornecimento de merenda escolar na região de Ilhéus, localizada no sul do território baiano. A linha de investigação aponta para a existência de um conluio entre as empresas concorrentes e a aquisição de gêneros alimentícios por valores consideravelmente superiores aos encontrados no comércio varejista tradicional.

Até o presente momento, as projeções financeiras realizadas pelos órgãos de controle apontam que o prejuízo real aos cofres do município ultrapassa a barreira de R$ 1,7 milhão. De acordo com o corpo de investigadores, a distorção cambial é evidente, visto que negociações efetuadas em larga escala deveriam, por lei de mercado, apresentar preços unitários abaixo daqueles praticados para o consumidor final, fator que acabou invertido no processo sob suspeita.
As ordens de busca que desencadearam as ações de campo foram chanceladas pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Ilhéus, após representação formal da PF e manifestação com parecer favorável emitida pelo Ministério Público Estadual. O município está atualmente sob a gestão do prefeito Valderico Júnior. Com o recolhimento de mídias digitais, computadores e documentos físicos, os peritos da controladoria geral da união e da polícia darão andamento às análises para detalhar a participação individual dos envolvidos. Os suspeitos poderão responder judicialmente por associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitações, contratação direta ilegal e práticas de corrupção ativa e passiva.





