Juliano Tchula quebra o silêncio e veta uso de imagem em filme de Marília Mendonça

Juliano Tchula quebra o silêncio e veta uso de imagem em filme de Marília Mendonça

3 de julho de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Maior parceiro de composição da cantora acionou advogados para ficar fora da produção

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Felipe Albertoni/ G1

A preservação da memória de grandes ícones da cultura popular frequentemente estimula a criação de obras biográficas no cinema e na televisão. No entanto, a transição de trajetórias reais para as telas de streaming envolve complexas negociações jurídicas ligadas ao direito de imagem e à privacidade das pessoas envolvidas na história. Quando figuras centrais da vida de um artista optam por caminhos de total privacidade, os rumos das produções audiovisuais ganham novos desafios de roteiro.

O posicionamento de Juliano Tchula a respeito do longa-metragem sobre Marília Mendonça encerrou um longo período de silêncio do músico na internet nesta sexta-feira (3). O artista, considerado o maior parceiro de composições da Rainha da Sofrência, utilizou o perfil de sua esposa para publicar um vídeo esclarecedor. O compositor enfatizou que não possui interesse em ver sua trajetória pessoal ou sua identidade retratadas no projeto cinematográfico.

A defesa da privacidade e a nova rotina religiosa

A decisão de não fazer parte da homenagem audiovisual vem sendo trabalhada nos bastidores jurídicos há bastante tempo. Afastado das redes sociais e do mercado fonográfico ativo há cerca de sete anos devido a um processo de conversão religiosa, o músico explicou que seus defensores legais notificaram a produção do Prime Video com bastante antecedência sobre o seu desejo. O artista destacou que sua prioridade atual é viver o presente voltado para sua fé cristã.

“Eu não recebo mais direitos autorais. Eu não estou querendo dinheiro desse filme, eu tenho um direito meu de não aparecer”, declarou o compositor em seu desabafo.

O pronunciamento de Juliano Tchula foi motivado por uma onda de hostilidades direcionadas à sua esposa, Flavi Soares, nas plataformas digitais. Flavi havia revelado publicamente o impasse com a equipe do filme, gerando debates intensos entre os internautas. Na obra, que começará a ser rodada neste mês de julho e tem previsão de estreia para o ano de 2027, o papel do compositor estava inicialmente designado para o ator João Guilherme.

Parceria histórica com a Rainha da Sofrência

A ausência do personagem de Tchula mexe com a narrativa de um dos períodos mais vitoriosos da música nacional. Ao lado de Marília Mendonça — que faleceu precocemente aos 26 anos em um acidente aéreo em 2021 —, o músico escreveu centenas de melodias que ditaram os rumos do chamado “feminejo” a partir de 2016. Entre os frutos dessa parceria de sucesso estão os grandes clássicos do gênero como “Amante não tem lar”, “De quem é a culpa” e “A Flor E O Beija Flor”.

Apesar do peso histórico de suas contribuições para o cancioneiro sertanejo, o profissional reiterou que não se importa com a forma como o roteiro foi estruturado ou se as críticas externas serão duras. O foco exclusivo do músico permanece sendo o bem-estar de seu núcleo familiar longe dos holofotes do entretenimento brasileiro. O elenco da cinebiografia, liderado por Marina Versos no papel principal, precisará se adequar aos vetos formais estabelecidos neste ano de 2026.