Magistrada cita regime de escravidão ao criticar fim de penduricalhos

Magistrada cita regime de escravidão ao criticar fim de penduricalhos

20 de abril de 2026 Off Por Marcelo Garcia

Desembargadora do Pará reclama de limitações impostas pelo STF e afirma que juízes enfrentam dificuldades financeiras

Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Erika Nunes

.

A desembargadora Eva do Amaral gerou polêmica durante uma sessão da Terceira Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará ao criticar os cortes de benefícios. A magistrada demonstrou forte apreensão com as recentes limitações impostas pelo Supremo Tribunal Federal ao pagamento de penduricalhos, comparando a nova realidade da categoria ao regime de escravidão.

O desabafo da desembargadora Eva do Amaral ocorreu nesta segunda (20) após a corte máxima do país estabelecer tetos mais rígidos para verbas remuneratórias. Segundo a magistrada, a pressão financeira sobre os juízes é enorme, relatando casos de colegas que estariam suspendendo tratamentos médicos por falta de recursos. Ela afirmou que a população sentirá os impactos caso o trabalho não seja valorizado.

Apesar das reclamações sobre dificuldades para pagar contas básicas e medicamentos, os dados de transparência revelam valores expressivos. No mês de março, a desembargadora recebeu um montante bruto de R$ 117,8 mil. Após os descontos obrigatórios, o valor líquido depositado ultrapassou a marca de R$ 91 mil, somando vencimentos e vantagens eventuais do cargo.

bdrm

A decisão do STF que motiva a indignação limita o pagamento de verbas indenizatórias a 35% do teto constitucional. Na prática, magistrados em topo de carreira ainda poderão receber remunerações que chegam a R$ 78,5 mil mensais. A medida visa moralizar os gastos públicos e evitar que auxílios diversos inflem os contracheques de forma desproporcional.

Durante seu discurso, a magistrada Eva do Amaral defendeu que a categoria trabalha além da jornada comum e faz horas extras constantes. Ela rebateu a visão de que juízes buscam apenas benefícios excessivos, alegando que os profissionais são vistos injustamente pela sociedade. Para ela, o cenário atual desestimula a carreira e prejudica a dignidade daqueles que operam o direito.

O Tribunal de Justiça do Pará foi procurado para comentar as declarações de sua integrante, mas ainda não emitiu uma nota oficial sobre o posicionamento. O vídeo da sessão circulou rapidamente em grupos jurídicos e redes sociais, dividindo opiniões entre o funcionalismo e a sociedade civil. O debate sobre os limites salariais no judiciário ganha um novo capítulo.

A nova regra dos penduricalhos será aplicada integralmente nos pagamentos a partir de maio. Com isso, os magistrados de última classe terão seus adicionais de tempo de serviço contabilizados dentro do novo limite. O desabafo reflete a resistência de setores da magistratura contra a política de austeridade que vem sendo implementada pelos tribunais superiores.