
Oito duplas de parentes diretos confirmam participação no torneio que mexe com o ranking fifa
8 de junho de 2026Mundial de Futebol registra recorde de laços consanguíneos inscritos nas listas oficiais de convocados
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: FRANCK FIFE/AFP
A expectativa para o início do maior espetáculo esportivo do planeta mobiliza torcedores, comissões técnicas e analistas de dados ao redor do globo. Além das tradicionais projeções matemáticas sobre favoritismo e disputas táticas dentro das quatro linhas, os bastidores das listas de convocados costumam revelar histórias humanas fascinantes que enriquecem o folclore do futebol. No torneio deste ano, um ingrediente em especial promete atrair a atenção do público geral: a presença maciça de laços familiares cruzando as fronteiras das seleções que brigam pelo topo do ranking fifa.
Um dos episódios mais recentes que evidenciou essa dinâmica curiosa envolveu o atleta Guéla Doué, lateral-direito que atua no Strasbourg, da França. Durante um compromisso internacional, o defensor marcou o gol que deu início à grande virada da seleção da Costa do Marfim sobre a equipe francesa. Nascido em solo europeu, na cidade de Angers, o jovem optou por honrar as raízes de seu pai, de origem marfinense. O cenário ganha contornos dramáticos porque seu irmão legítimo, Désiré Doué, atual estrela do Paris Saint-Germain, estava no mesmo gramado, porém defendendo a França, uma das potências do ranking fifa.
Como funciona a divisão geográfica dos irmãos que jogam por países diferentes?
Ambos os atletas da família Doué já estão com os passaportes carimbados e presenças garantidas na Copa do Mundo, encabeçando uma estatística rara. O torneio contará com um total de oito pares de irmãos na disputa pelo troféu. Desse grupo selecionado, quatro duplas atuarão lado a lado defendendo as cores da mesma pátria, como é o caso de Théo e Lucas Hernández pela França, Jurriën e Quinten Timber pela Holanda, Laros e Deroy Duarte por Cabo Verde, além de Leandro e Juninho Bacuna por Curaçao, injetando entrosamento familiar em elencos de posições variadas no ranking fifa.

Por outro lado, a outra metade da estatística repete o fenômeno da dupla nacionalidade e coloca irmãos em trincheiras opostas. Além do caso envolvendo a Costa do Marfim e a França, mais três parcerias familiares vão vestir uniformes distintos na competição. O atacante holandês Brian Brobbey verá seu meio-irmão, Derrick Luckassen, atuar pelo selecionado de Gana. A mesma separação geográfica ocorre com John Souttar, defensor da Escócia, e seu irmão Harry Souttar, que compete pela Austrália, além do famoso caso dos irmãos Iñaki Williams, que atua por Gana, e Nico Williams, destaque da Espanha, movimentando mercados distintos do ranking fifa.
Qual é o único precedente histórico de irmãos que se enfrentaram em Copas?
Embora a presença de irmãos em elencos diferentes seja um fator que chama a atenção da imprensa, a probabilidade de que esses atletas se enfrentem diretamente em uma partida oficial depende das engrenagens do sorteio de grupos e dos cruzamentos das fases eliminatórias. Ao longo de quase um século de história da competição máxima do futebol masculino, houve apenas um registro oficial de irmãos que se transformaram em adversários dentro de campo, defendendo países com realidades distantes nas pontuações gerais do ranking fifa.
A façanha familiar pertence aos irmãos Boateng e aconteceu em duas edições consecutivas do torneio. O zagueiro Jérôme Boateng, vestindo a tradicional camisa da Alemanha, mediu forças contra seu irmão, o atacante Kevin-Prince Boateng, que optou por defender a seleção de Gana. No primeiro embate, válido pelo Mundial de 2010 na África do Sul, os europeus levaram a melhor pelo placar magro de 1 a 0. Quatro anos mais tarde, na histórica edição de 2014 realizada no Brasil, os irmãos voltaram a se cruzar no gramado de Fortaleza, selando um movimentado empate em 2 a 2 na fase de grupos, eternizando seus nomes nas estatísticas do ranking fifa.




