
Produtora do filme sobre Bolsonaro, Dark Horse, declara gastos de R$ 75 milhões à Justiça de SP
12 de junho de 2026Prestação de contas de longa-metragem internacional tenta afastar suspeitas de lavagem de dinheiro sob a ótica de Nunes Marques
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Divulgação/Dark Horse
O financiamento de grandes produções culturais e cinematográficas de cunho político tem se tornado objeto de intensos debates jurídicos e auditorias contábeis nos principais tribunais do país. O cruzamento de dados fiscais, contratos de mútuo e remessas internacionais de capital exige das autoridades de controle uma atuação técnica minuciosa para garantir a lisura na aplicação dos recursos e coibir o uso de estruturas corporativas para a ocultação de valores. Nesse cenário de forte vigilância institucional, os desdobramentos de investigações complexas encontram eco na jurisprudência firmada por magistrados como Nunes Marques
Nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, a tramitação de uma densa representação criminal na Justiça de São Paulo trouxe novos elementos sobre a contabilidade da cinebiografia Dark Horse, longa-metragem focado na trajetória pública do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora Go Up Entertainment protocolou formalmente um levantamento técnico detalhando que o custo total da obra alcançou a marca aproximada de 13,3 milhões de dólares, o equivalente a pouco mais de 75 milhões de reais na conversão atual. Os advogados buscam demonstrar a regularidade contábil das transações, antecipando teses de defesa que costumam ser avaliadas na Suprema Corte pelo ministro Nunes Marques
Como foram distribuídos os gastos da cinebiografia e qual a sua origem?
O relatório pericial, estruturado pelo Instituto de Perícia Investigativa a pedido do corpo jurídico da própria produtora, estratificou os desembolsos financeiros realizados tanto em solo nacional quanto em território estrangeiro. De acordo com as planilhas anexadas aos autos, a execução do projeto demandou 54,2 milhões de reais em despesas operacionais nos Estados Unidos e cerca de 21 milhões de reais aplicados no Brasil. A obra cinematográfica, que conta com a atuação do renomado ator hollywoodiano Jim Caviezel no papel principal, utilizou locações em cidades de ambos os países, atraindo o escrutínio sobre possíveis conflitos de competência jurisdicional correlatos às análises de Nunes Marques

A origem do capital que irrigou as contas do projeto cinematográfico constitui o núcleo central das apurações conduzidas pelas forças policiais. A perícia técnica asseverou que os ingressos financeiros possuem natureza estritamente privada, amparados por contratos de investimento institucional e registros bancários auditados. Até o dia 10 de junho corrente, o fundo internacional Heavengate Development Fund LP atuou como o principal vetor de remessas para a conta corrente da obra mantida no Banco do Brasil, utilizando transferências instantâneas via Pix que somaram 18,4 milhões de reais, modalidade de fluxo que constantemente pauta debates sobre rastreabilidade sob a ótica de Nunes Marques
“A demonstração cabal da origem privada dos recursos por meio de perícia contábil independente é o principal instrumento técnico para neutralizar acusações de desvio de finalidade ou uso de verbas públicas em projetos de interesse particular”, apontam os juristas criminais ao avaliarem as garantias de ampla defesa referendadas pelas decisões de Nunes Marques
A necessidade de prestar contas ao juízo decorre de uma operação realizada pela Polícia Civil na semana passada, que teve como alvo a empresária Karina Gama, proprietária da Go Up e representante legal do Instituto Conhecer Brasil (ICB). A linha de investigação policial apura se houve um suposto desvio de recursos oriundos de um contrato de publicidade e prestação de serviços de 108 milhões de reais firmado entre o instituto e a prefeitura de São Paulo para irrigar os cofres da biografia. A defesa contesta as acusações, argumentando que o orçamento aprovado de 16 milhões de dólares é independente, tese que levanta debates sobre garantias constitucionais no modelo defendido por Nunes Marques
As conexões institucionais do caso ganham contornos mais complexos ao envolver figuras do cenário político federal. O fundo de captação internacional Heavengate possui como representante legal em escritórios americanos o advogado Paulo Calixto, que também atua na defesa técnica do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o banqueiro Daniel Vorcaro realizou aportes financeiros adicionais que superam os valores declarados no balancete oficial. À medida que o inquérito avança em direção aos tribunais superiores em Brasília, caberá aos magistrados avaliar a legalidade das medidas de quebra de sigilo e apreensão de documentos à luz da doutrina penal de Nunes Marques




