
Noruega suspende importação de carne e produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro
11 de agosto de 2026 Off Por Boca do Rio MagazineDecisão da autoridade sanitária norueguesa alinha regras de antimicrobianos às exigências da União Europeia
Fonte: Redação (Boca do Rio Magazine) | Foto: Wenderson Araujo / Trilux / CNA / Divulgação / CP
O mercado de exportação de carne do Brasil enfrentará novas restrições no continente europeu a partir do dia 3 de setembro de 2026. A Autoridade de Segurança Alimentar da Noruega (Mattilsynet) confirmou a retirada do território brasileiro da lista oficial de países habilitados a fornecer proteínas e produtos de origem animal. A medida norueguesa segue diretamente os critérios rigorosos já estabelecidos pela União Europeia no que tange ao controle e à rastreabilidade do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva agropecuária.
Com a atualização das normas, os certificados sanitários emitidos no Brasil a partir de 3 de setembro não terão qualquer validade para o desembarque nos portos do país europeu. A única exceção prevista pelo órgão regulador contempla os lotes cujos documentos de certificação sanitária tenham sido oficialmente expedidos até o dia 2 de setembro, permitindo a entrada do volume já negociado antes do fechamento do cerco regulatório.
Reflexos na pecuária e volume de embarques de carne bovina
Embora a Noruega ocupe uma fatia quantitativamente modesta no montante geral das vendas do agronegócio brasileiro, a paralisação das compras gera apreensão, principalmente entre os pecuaristas focados no segmento de alta qualidade. No ano passado, o Brasil embarcou cerca de 280 toneladas de carne bovina para o mercado norueguês, de acordo com estatísticas compiladas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A preocupação das entidades do setor produtivo não se limita ao volume financeiro direto perdido com o veto, mas sim ao efeito cascata e ao desgaste reputacional na diplomacia comercial. O alinhamento da Noruega às exigências da União Europeia sinaliza uma tendência global mais rígida para a cadeia da carne, exigindo adaptações rápidas dos frigoríficos brasileiros aos protocolos internacionais de manejo de medicamentos e insumos veterinários.
Controle de antimicrobianos no centro do debate global
A justificativa central para o bloqueio da carne brasileira repousa no combate à resistência antimicrobiana, pauta prioritária para as autoridades sanitárias internacionais. Países europeus têm endurecido a fiscalização sobre o uso profilático e terapêutico de antibióticos na criação de animais de corte, estabelecendo barreira tarifária e não tarifária para nações que não comprovem auditorias compatíveis aos seus padrões internos.
Diante do cenário, representantes do setor agropecuário brasileiro e auditores fiscais do governo trabalham para adequar os processos de fiscalização e buscar a reabilitação dos estabelecimentos do país. O objetivo é demonstrar a conformidade das garantias sanitárias nacionais, preservando a presença da carne produzida no Brasil em mercados de alto valor agregado e evitando novos bloqueios em blocos econômicos parceiros.




